sexta-feira, 23 de julho de 2010

Demagogia


Vemos na televisão um excesso de debates, comentadores políticos, entrevistas, onde todos falam muito bem e até ganham fama e dinheiro, como se tudo se resolvesse com palavras, mais parecem vendedores de peixe, que mesmo em mau estado, tentam fazer convencer o povo de que ainda está bom, e se algo está mal, a culpa é dos profetas da desgraça ou da comunicação social, mas quando descobrem o podre, quando vêem que realmente nada se aproveita atiram as culpas para a crise internacional e a UE, o que não deixa de ser verdade, mas também é verdade que Portugal nunca teve estabilidade económica segura para poder aguentar um qualquer deslize financeiro, e é claro que quando os outros países espirram nós é que constipamos primeiro.

A demagogia política é tanta que até na assembleia da república, na falta de argumentos já se passa ao insulto, o que faz aquele local parecer um circo com todos os artistas representados, e o povo assiste impávido e sereno, porque afinal, foi o povo que os pôs lá, mas quanto mais conhecemos os nossos políticos, mais ficamos a saber que só têm vaidade, arrogância, hipocrisia, e que por trás daquelas autoridades importantes, intocáveis, estão simples cidadãos que em alguns casos nunca foram ninguém antes de serem políticos, num país que se fala muito e nada se resolve, a falta de ideias e inteligência é demasiada para um país tão pequeno.

Admira-me a paciência que os portugueses têm para suportar viver com tão fraca qualidade de vida e a pachorra de serem tão mal tratados pelos nossos políticos e sucessivos governos que não fazem mais nada, a não ser pedir sacrifícios, e pedir para terem esperança de que as coisas vão melhorar, mas os anos passam e a cantiga é sempre a mesma, e o povo aguenta, muda o governo, e mais uma vez a promessa da esperança de um país melhor, mais prospero, na linha da frente Europeia, irra, não será gozar demais com um povo que é tão pacífico, para ser tratado como se fosse marionetas, a paciência tem limites e a continuar assim vai ser muito difícil convencer qualquer pessoa de bom censo, de que este país terá um futuro feliz.

A maioria das pessoas de médio e baixo rendimento sempre se contentou com pouco e nunca teve o privilegio de saborear uma vida de conforto e até dar largas ao divertimento e lazer, como, viajar para várias partes do mundo, passar alguns dias em hotéis, enfim, tudo o que qualquer ser humano devia ter ao seu alcance para o bem-estar e felicidade das pessoas, pelo menos de vez em quando, isto só não acontece quando os países são muito pobres e não têm um nível de vida digno de quem trabalha, exploram o povo de maneira a que fique limitado às suas necessidades, o que limita também o consumo, logo, atrasa a economia, ou seja, por um lado incentiva-se ao consumo, por outro não garantem um rendimento suficiente.

Os países só são pobres quando são mal geridos, impera a corrupção, os interesses pessoais e a especulação dos mercados, são os principais males de um país, que acaba por desmoronar e faz sofrer o povo, que sem ter culpa, acaba por ser a principal vitima.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Negligências


Todos sabemos que errar é humano, mas há erros mais ou menos grosseiros, mais ou menos toleráveis, e há os que são imperdoáveis, e são muitos, mas também são muitas as razões para que hajam negligências com mais frequência nos tempos de hoje, as perdas humanas e materiais são astronómicas e não parece que estejam a baixar, tudo por causa da correria infernal a que as pessoas estão submetidas e pressionadas a fazer em prol do desenvolvimento, do enriquecimento rápido e os problemas que pairam na cabeça das pessoas, que as faz não estarem atentas ou com a máxima atenção no trabalho que desempenham.

São erros médicos demasiado graves para serem toleráveis, mas que como é sabido estes profissionais têm a vantagem de poder dar a volta à situação de negligência, pois as desculpas são muitas e as provas são muito poucas, são erros de polícias, que atingem a tiro ou prendem pessoas por engano, são os erros dos árbitros no desporto, que muitas vezes causam grandes prejuízos para os clubes, principalmente em fazes finais ou finais, são erros nas empresas, de todos os ramos, publicas e privadas, o caso mais brutal foi o acidente na plataforma petrolífera no golfo do México, que foi mais que um acidente, afinal acabou por se revelar um enorme erro crasso, imperdoável, pois alguém já tinha avisado que algo estava mal e que a catástrofe era eminente, mas mais uma vez o poder imperial falou mais alto, e ninguém deu ouvidos aos alertas, o resultado está à vista, um desastre ambiental catastrófico, não só para o ambiente mas também para a vida animal e das pessoas que ganhavam a vida nas zonas afectadas, mas o pior ainda é o grande problema ambiental, que não há dinheiro que pague, já que as pessoas receberão indemnizações e poderão refazer as suas vidas, e a empresa ficará em risco de falência o que causará muito desemprego.

As negligências são sem duvida, um drama humano, e todos nós erramos, mas ficamos indignados quando somos nós os atingidos, e quando somos nós a errar, logo tentamos arranjar desculpas, é próprio dos humanos e parece ser uma doença sem cura, mesmo na nossa vida particular, pomos muitas vezes a nossa vida em risco e a dos nossos filhos, na rua ou em casa.

Mas o que nos leva a cometer tantos erros? Não sou a pessoa indicada para dar as respostas, mas todos nós sentimos e sabemos as causas de tantas asneiras que tanto nos afecta e causa prejuízos e danos pessoais às vezes dramáticos, o que eu penso é que o estilo de vida que temos nos tempos de hoje é demasiado violento para a resistência humana, ou seja, nós, ou alguém, pensa que somos máquinas, que podemos fazer sempre um pouco mais que aquilo que fazemos, e o resultado, é o que acontece até com as máquinas, um dia avaria, a partir daí, começa a funcionar mal, e lá vem asneira, o melhor será: parar, pensar, e decidir o que é melhor para nós e para os outros, se for possível, mas não vejo que alguém vá seguir este conselho, porque mesmo a trabalhar muito, não conseguimos ter uma vida estável, é a qualidade de vida que este mundo nos proporciona, corremos para viver mal e para morrer depressa.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Portugal dos pequeninos


É costume dizer-se que as pessoas não se medem aos palmos, os países também não, se bem que fisicamente as diferenças existem realmente, mas quando nos referimos a qualidades, mentalidades, inteligência, força, coragem e atitudes, essas diferenças não deviam ser tão evidentes, mas os tempos mudam, as pessoas mudam, e muitas vezes muda-se para melhor, outras vezes para pior, mas o que se tem notado muito é que, o essencial para se manter um povo ou uma sociedade coesa, robusta e com espírito de luta, heróico e vencedor, era necessário ser mais prudente, firme nas convicções, e atitudes, com menos euforias, menos auto valorização, e muito menos desprezando os outros.

Portugal tem uma história de que todos nós nos orgulhamos, e desde que este país existe que os nossos antepassados demonstraram uma coragem de ferro, de conquista e de actos heróicos, correram o mundo em aventuras quase impensáveis nos tempos de hoje, com aquelas condições técnicas, comparadas às que temos agora, só foi possível com a bravura de homens destemidos para enfrentar tempestades, e depois desembarcar no desconhecido, foram tão longe e conquistaram tanto, que ficaram com a ideia que tinham o mundo nas mãos.

Mas a nossa brilhante história, parece ter ficado só nos livros, hoje ficamos com a ideia de que as nossas forças se esgotaram, perdemos a coragem, estamos no anonimato perante o mundo, e quase passamos despercebidos de tão pequenos que somos, isto não é pessimismo, infelizmente é a realidade, e não vale a pena estarmos a esconder a cabeça na areia, nós estamos desmotivados, a nossa auto estima está degradada porque começamos a perder a esperança de que o futuro não está a ser aquilo que a maioria das pessoas pensava, muito por culpa de quem traçou o destino deste país, que nunca souberam dar o rumo que deve ser dado a qualquer país, que é, educar o povo economicamente profissionalmente e gerir de forma segura as estruturas sociais e territoriais para garantir uma vida saudável de progresso e estabilidade.

O que vemos é um país, com uma degradante sociedade frustrada e à deriva, pois não encontra firmeza nas suas convicções de que já fomos grandes e as desilusões sofridas agora são muitas, os grandes homens que deram valor e orgulho a este país, já desapareceram, já não há cérebros que dignifiquem este país e o povo sofre com isso, entrando em euforias levando ao colo algumas esperanças que quase sempre saem frustradas, porque se valoriza o que realmente não tem valor, é um valor falso, de fama descabida, por interesses económicos, mas que afecta as pessoas psicologicamente, porque se para muitos primeiro estão os valores económicos, para o povo em geral, primeiro estão os valores patrióticos e humanos.

Politicamente, temos políticos péssimos, de carácter pouco digno de estarem a gerir um país, que merecia melhores figuras, mais seriedade, mais inteligência e respeito por aqueles que ainda se dão ao trabalho de votar neles, e que como se vê, só há dois partidos a disputar o poder e alternando entre eles, só mudam as caras de vez em quando, e o resultado é sempre o mesmo, de mal a pior, os políticos quando assumem tal responsabilidade, deviam ter em conta que o país não é deles, que são meros empregados do povo e que por isso devem cumprir com as suas obrigações, zelando pelos interesses do povo e não o deles.

Nas artes em geral, aqui também já demos cartas, com alguma importância, mas claro nunca foi de grande relevo internacional, um ou outro artista que se destaque, logo procura outras paragens para se projectar no mundo da fama, porque cá não se valoriza os merecedores de apoio, e de condições para crescer, até aqui somos reduzidos a uma mesquinhez absurda em esquecer a arte, que é um bem essencial para a cultura de um povo, que se deve ter como um tesouro de grande valor, mas infelizmente o que temos cá, é pouco e nem sempre de boa qualidade, porque como já referi, o que se faz de bom depressa se escapa.

No desporto, lá vai brilhando uma ou outra estrela, mas também aqui se nota uma fuga inevitável, porque no mundo do desporto os milhões é que ditam o destino das pessoas e os interesses, formam-se vedetas para alimentar negócios de valores astronómicos fazendo convencer as pessoas de que se trata dos melhores atletas do mundo, mas na verdade são apenas atletas com algumas habilidades extras, mas revestidos a ouro e muitas vezes esquecem-se das habilidades em casa, e o povo vibra, gasta dinheiro para os ver em acção, gasta dinheiro em adereços de apoio aos clubes ou à selecção, a euforia aumenta com o bom desempenho momentâneo, mas de repente, é a desilusão, é claro que no desporto, está em jogo a força, a coragem, a inteligência, a garra, o empenho e a fúria de vencer, na alta competição não se pode pôr os interesses pessoais acima de tudo, e muitas vezes a burguesia é notória e é causadora de um laxismo repugnante e deixa todo um povo envergonhado de tanta má figura, durante um campeonato estão várias equipas em competição e há os bons e os menos bons, no entanto numa final, só serão duas equipas, as que mais se esforçaram ao longo do campeonato, e como tal serão as melhores do momento, por isso tanto uma como a outra merecem vencer, mas só uma sairá vitoriosa, mas a que perdeu não deixa de ter o seu valor, pois atingiu o nível mais elevado que foi possível, mas também glorioso.

No entanto quero aqui referir o meu desagrado, no caso da selecção poder admitir jogadores estrangeiros radicados em Portugal, pois para mim, e não está em causa a xenofobia, é apenas a minha opinião, para ser português, não basta estar no papel, é preciso nascer cá, embora a lei permita, mas também não concordo com todas as leis, embora tenha a consciência que devem ser respeitadas.

Também acho que o apoio à selecção devia ser mais contido, ou seja não deitar tantos foguetes antes da festa, porque não é necessário pedir por favor para se esforçarem, eles têm a obrigação de darem o seu melhor, porque ganham muito dinheiro, porque está em causa o nome de um país e de um povo, mas claro que se os outros estão mais bem preparados, ganham e seguem em frente, porque dos fracos não reza a história, mas é com tristeza que vejo o meu país como, Portugal dos pequeninos, não pelo tamanho geográfico, mas sim pela perda de valores, relevância, carisma, altivez.