sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Miséria


Muitas vezes ouvimos pessoas a falarem de forma arrogante e insensível, contra as pessoas que recebem RSI, (Rendimento Social de Inserção) só porque têm conhecimento de casos de pessoas que recebem indevidamente esse subsidio, mas esquecem-se dos casos reais, em que há famílias, ou mesmo pessoas sós que não têm nem conseguem realmente de forma alguma um rendimento para sobreviverem, porque não podem trabalhar ou não conseguem realmente arranjar trabalho, até há quem diga que só não trabalha quem não quer, pois então eu digo que, só se for para trabalhar de graça, porque muitos passam o tempo todo a procurar trabalho e não conseguem de maneira nenhuma, cada caso é um caso, mas não podemos dizer que em Portugal existem 600000 malandros compulsivos, até porque muitos já perderam o direito ao subsidio de desemprego e nem por isso arranjaram logo trabalho a seguir, por isso nem todos são subsidio dependentes, e nem o numero de desempregados tem baixado, pelo contrário, tem subido e com tendência a subir mais, mas também é verdade que muitos encontram um possível trabalho, mas em condições desumanas, sem quaisquer direitos, sem descontos para a segurança social, sem seguro, horas de trabalho a mais sem qualquer rendimento extra e ordenados minúsculos, muito abaixo do ordenado mínimo mesmo sem descontos, e não se vê que alguém do governo esteja a fazer algo para que se altere esses abusos, e alguns desses patrões até na televisão já disseram que não conseguem encontrar empregados para as suas empresas, pois não, estes patrões nunca vão encontrar empregados, só se forem trabalhadores burros que se considerem escravos. Mas que eu saiba numa democracia não é permitida a escravidão, pois não?

Por isso quem é realmente pobre, se recebe o Rendimento Social de Inserção é porque não tem outro tipo de rendimento, e este subsidio é atribuído como de sobrevivência, e nunca a quem tem outros meios de rendimento, segundo as normas estipuladas por lei, e se isso acontece, o erro está nas autoridades ou as instituições que não funcionam bem, nem fazem as devidas averiguações necessárias para determinar quem tem ou não direito a receber este rendimento, que é da maior importância para quem vive em pobreza estrema, e que muitas vezes ficam privadas de qualquer rendimento, e muitas vezes por vergonha ou não terem conhecimento dos seus direitos e até por não saberem como fazer ou dirigir-se às entidades competentes para o efeito, acontece o que vemos diariamente pelas ruas e cada vez mais, pessoas a pedirem para terem diariamente uma pequena refeição, e muitos têm filhos o que os faz desesperar ainda mais, e já nem pedem para eles, mas sim imploram para conseguir alimento para os filhos.

A pobreza extrema cada vez é mais, e é pouco compreensível como os políticos deixaram chegar a este ponto e ainda estão a complicar mais a situação, pois estão a sacrificar o povo, como se fossem os culpados da crise económica que a Europa e o Mundo chegou, quando vemos elevadíssimos níveis de vida, que nem por isso tem baixado, pelo contrário, tem aumentado o nível de extrema riqueza, e o nível de extrema pobreza, e imaginar que eles dizem que estamos em democracia é no mínimo, irrisório, pois se a democracia é assim para os pobres, não me parece que faça muita diferença entre democracia e a ditadura, e para os ricos também não é o sistema que os prejudica, pois para eles qualquer sistema serve, porque para eles a vida corre sempre maravilhosamente bem. Continuamos a ver uns a poupar demais e outros a esbanjar demais, é revoltante ver os multimilionários com extravagâncias exageradas numa altura destas e não mostram vontade de ajudar ninguém, pois dizem eles, e até muita gente o diz por eles: só gastam o que é deles. Mas será que realmente é deles? Ou se apoderaram dele indevidamente? Ou os que ganham milhões será que o merecem mesmo? Porque é que não se governam com menos? E quem paga estes milhões, será que podem mesmo pagar, e será para sempre? Ou vão continuar a tirar aos pobres empregados que recebem pouco mais que o ordenado mínimo, para alimentarem estes colossais obesos que ingerem tanto dinheiro?

Vejamos o caso dos nossos governantes, autarcas, e até o todo-poderoso governo regional da intocável Ilha da Madeira, as obras megalómanas que fazem, sem que daí se tire o mínimo de proveito em prol de criação de riqueza, pois são autênticos monos que até podem ser muito bonitos e ser muito fotogénico para Inglês ou qualquer outro turista ver e tirar fotografias, e ficarem com a noção de que Portugal está a evoluir, mas eles não sabem que para se fazerem essas obras que não eram muito necessárias, o país endividou-se e que a miséria continua em alta. E não venham dizer que é para atrair turismo, pois os turistas estrangeiros, não procuram obras de arte moderna em Portugal, porque isso é o que eles mais têm lá na terra deles. Assim como as festas, que nesta altura se realizam, Natal e passagem de Ano, principalmente na Madeira onde este ano e como sempre, mas mais escandaloso este ano devido à escandalosa dívida que tem, mas nem por isso se conteve nos gastos com a megalómana Iluminação de Natal e vários eventos festivos até 6 de Janeiro, mais o colossal fogo-de-artifício na passagem de ano, mais uma vez para turista ver. Mas as grandes despesas de consumo, como parecer ser costume fazem-na a bordo dos cruzeiros em que viajam, pois claro. Enquanto isso tudo se passa, muita gente está a morrer de fome, algures no mundo, e outras a deambular pelas ruas da amargura, num mundo, em que mais de metade se diz ser democrático.    

Se estamos neste mundo para ver estas tristes realidades e tão desumanas, em que a maioria não tem uma alimentação minimamente suficiente, se não há a mínima garantia para as pessoas, de um nível de vida digno e humano, se temos que passar uma vida a lutar continuamente para sobreviver e nunca vemos resultados, para um futuro de esperança a curto prazo, e vamos continuar a ver os políticos a gozarem na nossa cara, fazendo de conta que somos trapos e eles é que são humanos. Então não estamos cá a fazer nada, porque entre viver na miséria e estar morto, a diferença não é muita, até pode ser melhor estar morto.     

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Googol e o Google

     

Um dia, em 1938, o matemático norte-americano Edward Kasner perguntou ao sobrinho que nome haveria de dar a um número muito grande. O rapaz tinha apenas nove anos e ficou espantado quando o tio lhe mostrou o número. Era 1 seguido de 100 zeros. Para o jovem tratava-se de uma quantidade tão inconcebível que lhe chamou um nome inventado: GOOGOL – o que é o mesmo que dizer “OOHOHH”!

O nome pegou e ainda hoje é utilizado. O googol é pois 10 à potência 100, ou seja, 10 vezes 10 vezes 10 …com esta multiplicação repetida 100 vezes. Se usarmos o acento circunflexo para denotar a exponenciação, como muitas vezes se faz em texto corrido, o googol será 10^100. Escrito na base decimal será um comboio: 10000000000000000000000000000000000000000000000000
000000000000000000000000000000000000000000000000000.

Não é de espantar que o miúdo tenha exclamado GOOGOL!!!

Kasner inventou depois outro número ainda mais gigantesco: 10 levantado a um googol, portanto seguido de um googol de zeros … Poderia ter-lhe chamado GOOGO-GOOGOL, mas foi mais conciso e chamou-lhe googolplex.

O googol e o googolplex levantam problemas curiosos. O astrónomo Carl Sagan sublinhou no seu livro Cosmos que não existe matéria suficiente no universo para os escrever por extenso em notação decimal. O número total de partículas no Universo está estimado em cerca de 10^80, ou seja, 1 seguido de 80 zeros, menos do que um googol. E se todo o espaço fosse preenchido de forma compacta por neutrões, apenas haveria 10^128 partículas, muito menos do que um googolplex.

O especialista em computação Frank Pilhofer calculou o tempo necessário para gerar o googolplex num computador. Repare-se bem: não é o tempo de impressão em papel, nem sequer no ecrã, mas o tempo de escrita na memória. À velocidade actual de processamento, essa escrita levaria qualquer coisa como 10^80 anos, ou seja, tantos anos como o número de partículas existentes no universo!

É prodigioso ser capaz de conceber números que não se conseguem escrever por extenso. Há mais de 22 séculos, Arquimedes teve o mesmo fascínio e escreveu um pequeno livro em que explicava como se pode contar sem limites, havendo mesmo um número possível para o total dos grãos de areia existentes sobre a Terra.

O fascínio com os números grandes, nomeadamente com o googol, contagiou Larry Page e Sergey Brin, dois estudantes de Stanford que em 1996 criaram um motor de busca na Internet. Quando fundaram uma empresa para o comercializar, chamaram-lhe Google, inspirando-se no googol. Na realidade , em inglês as duas palavras podem pronunciar-se da mesma maneira.

O Google e outros motores de busca são prodígios da tecnologia e da inventividade dos engenheiros informáticos. Indexam milhares de milhões de páginas da Internet e procuram o que pretendemos a uma velocidade espantosa. Recolhem informação trabalhando 24 horas por dia, criam índices monstruosos, resolvem sistemas de equações gigantescos e têm arquivos de informação maiores que todas as páginas de todos os livros da maior biblioteca do mundo. São extremamente úteis para os utilizadores da Internet, que de outra maneira estariam perdidos num oceano disperso de informação.

As tarefas que os motores de busca realizam são tão gigantescas que faltam adjectivos para as qualificar. Poderia dizer-se que são tarefas ciclópicas, mas a palavra é capaz de ser um pouco antiquada. Talvez nos possamos lembrar do googol e dizer que são tarefas googólicas.

O nome é novo, mas pode ser que pegue. Sobretudo se for inventado por um miúdo de nove anos.

Nuno Crato
In “Expresso 15 Janeiro 2005/ÚNICA 63”

domingo, 27 de novembro de 2011

País estupidificado


Parece que Portugal, definitivamente teima em não sair do sítio, passam as gerações e a mensagem que continuamos a passar aos nossos filhos e netos continua a ser a mesma que os nossos avós e os nossos pais nos passaram, que é: Portugal está muito atrasado, está tudo sempre na mesma, o governo não quer saber do interior do país, nem da agricultura, ninguém quer saber das pequenas terras que estão abandonadas, ainda ides passar muita fome. Enfim, uma lista infindável de queixas que se prolongam por anos a fio, e continuamos a ouvir as mesmas lamentações. Não é difícil ver qual a razão de toda esta situação, os portugueses estão estupidificados, ou seja, o povo português ainda não acordou para a realidade de estar em democracia, nem tão pouco sentiram a mudança, e muitos até pensam que realmente nada mudou. Porquê? Porque na revolução que se fez em 25 de Abril de 1974 não houve um abanão suficientemente grande para que as teias de aranha fossem derrubadas, e estas continuaram agarradas nos aposentos do poder, a aprisionar as suas presas, mantendo-as com os olhos ofuscados e mantendo-as na ilusão de que estão em democracia e que tudo vai melhorar, o desenvolvimento e um futuro prospero era o destino a seguir, mas o que vemos 37 anos depois é que afinal andamos de cavalo para burro, os direitos a serem retirados, a liberdade com restrições a mais para uma democracia, e o medo instalado na mente das pessoas que sentem estar a ser perseguidas, sem grande à-vontade para expressar as suas indignações nas manifestações, e com medo das forças de segurança, que muitas vezes abusam da força sem grande motivo para isso, sinceramente não é muito democrático, nas pequenas manifestações que se têm feito em Portugal, que até são minúsculas em comparação a outros países, o aparato policial intimidatório e a impor que as pessoas se portem como meninos do coro, ora se é uma manifestação de protesto, não é propriamente um arraial de satisfação, logo é previsível que os ânimos se exaltem, e visto que o povo não tem armas, não é muito pacífico ser confrontado com repressão, por forças de segurança bem equipadas e bem armadas, que não hesitam em dar bastonada a torto e a direito sem olhar a quem batem, se são mulheres grávidas, idosos, crianças, ou jornalistas, o que muitas vezes são excessos que podem ser considerados abusos de poder, não estou a querer dizer com isto que se deixe partir tudo, mas isso não acontece com a maioria dos manifestantes portugueses, nem deve vir a acontecer, mesmo que um dia venha a ser preciso, e quando acontece nas manifestações que se pretende que sejam pacificas, são pessoas infiltradas que pretendem causar distúrbios e a confusão, e apenas esses devem ser repreendidos e não os que simplesmente querem manifestar a sua indignação contra os péssimos governantes. O mais grave é que depois, no rescaldo dos acontecimentos, a opinião dos nossos governantes é dizerem que as forças de segurança agiram muito bem e até lhes dão os parabéns, ora, parabéns por baterem em inocentes, e os culpados muitas vezes já nem estão no local e quem leva são os que não têm culpa, e muitas vezes nem se passou nada de grave, basta haver uns empurrões para começarem a agredir, quando apenas há uma manifestação, por indignação das pessoas e descontentamento, pois caso contrário não estavam ali. Ou será que nas manifestações de contestação tem que se levar bandeirinhas brancas e gritar palavras de ordem: Paz, estamos mal e felizes. 

O que se nota também, é uma ignorância e até uma certa empatia com a democracia, os portugueses ainda olham muito para o passado, ouve-se muita gente falar com saudades do velho ditador, o que demonstra a pouca maturidade e desenvolvimento democrático do povo, pois um povo corajoso, não olha, nem pede o regresso do mal que passou durante muitos anos, mas sim, luta por aquilo que conquistou, a liberdade e a democracia, que são valores importantes e uma grande conquista para um povo, mas que o povo tem que saber preservar e lutar para que os governantes não caiam na tentação de destruir, porque quando os governos se apercebem que o povo está adormecido, começam a reverter aquilo que prometeram, e logo fazem o cerco, apertando cada vez mais os limites, não é por acaso que muitas vezes, há países que caem outra vez na ditadura, pois é, a pacatez do povo, e o deixa andar, pode muitas vezes acabar nisso, e o caminho que Portugal está a tomar não é muito animador, pode até ser muito perigoso, se nada for feito e o povo não acordar, podem crer que o caminho pode ser desastroso e irreversível, ninguém sabe o destino de Portugal e isso está a causar muita ansiedade e desespero nas pessoas, estamos numa situação muito complicada e alguma coisa tem que ser feita, e o que está a ser feito não é solução que leve a bom porto este país.

A grave crise financeira que o país atravessa também não veio favorecer em nada a situação, pelo contrário, veio dar mais um grande empurrão para a perda de soberania e autonomia, pois não cabe na cabeça de ninguém, nem é agradável virem estranhos para aqui dar ordens e impor restrições sem saber e nem querer saber se há pessoas a passar fome ou não, a ordem é para cortar e está resolvida a situação, mas ninguém resolve a situação económica, se não houver produção, não se consegue pagar uma dívida tão grande só a tirar dinheiro às pessoas e aumentando os impostos, o que só vai causar recessão, desemprego e empobrecimento das pessoas e empresas, até mesmo sem dívida, um país só fica economicamente estável, com a criação de riqueza. Portugal poucas vezes ou nunca foi auto-suficiente neste ponto de vista, sendo assim a solução só pode estar numa reestruturação radical da política económica, e se fosse necessário, uma nova revolução industrial, investindo em infra-estruturas de transformação, impulsionando o fabrico de produtos inovadores, conquistar o mercado exterior, incentivar e dar condições a cabeças no campo científico, e acima de tudo dar poder a gerentes e governantes com pulso para enfrentar qualquer ameaça manipuladora, especulativa e corrupta, no sector empresarial e económico. Mas isso seria um milagre acontecer, porque existem forças poderosas a impedir que isso aconteça, não se sabe bem porquê, mas com certeza deve haver alguém interessado em que tudo permaneça como está, pois os abutres só se alimentam do que está em mau estado, e o mal de uns é o proveito de outros, é a política da ganância e corrupção. Vivemos num mundo onde a nossa evolução social e económica podia ser uma coisa boa, com um futuro risonho e bem-estar, mas afinal, o dinheiro venceu a dignidade humana, e estupidificou os nossos governantes de tal maneira, que já não sabem governar de forma justa e socialmente correcta.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Paralisia Social


Já lá vai o tempo em que as pessoas tiveram a oportunidade de ter uma vida melhor e até ficaram com a noção de que estavam a agir bem, e até estavam felizes por terem acabado com um passado de repressão retrógrado, mesquinho, que até dava a ideia de estarmos parados no tempo, e realmente foi assim durante mais de 40 anos. Portugal, e seus governantes do passado, com o orgulho atroz, mas com a mania das grandezas, agarrados a terras longínquas, que diziam eles ser o nosso império, mas que como se sabe nunca foi verdadeiramente nosso, porque quando se entra numa terra em que já existem pessoas lá, não se pode dizer que foi uma conquista, mas sim uma invasão, pois é, estou a falar das ex. colónias, fizemos crescer aqueles países, investimos tudo o que tínhamos, como se os impérios fossem eternos, mas não são, quando o feitiço se vira contra o feiticeiro, as coisas mudam de figura, e então acordamos para a realidade, mas muitas vezes demora-se tempo de mais para entender isso e os problemas acumulam-se, e a tragédia não tarda, é o que acontece com quem tudo quer, tudo perde. Foi o que aconteceu a Portugal, enquanto fazia crescer as colónias o Continente penava, com a falta de tudo, e o povo, que alem de não poder abrir a boca para comer, porque muitas vezes não havia o que comer, também não podiam abrir a boca para falar, para protestar, dizer o que sentiam e nem tão pouco opinar, pois o chefe todo-poderoso e arrogante ditava todas as leis e ordens mesmo que não tivesse razão, e o lema era, manter o povo com rédea curta, ignorante e com fome, manter a grande nação a todo o custo, nem que para isso tivesse que sacrificar o povo, derramando o seu sangue, muitas vidas se perderam numa guerra que nunca fez sentido e que não podia ter outro fim que não fosse a derrota, e dar a independência de mão beijada, e tudo lá ficou, a independência daqueles países era mais que certa, mas aconteceu já muito tarde, devido à teimosia e ganância arrogante, que acabou por se desmoronar, com uma revolução para tirar o mono da cadeira do poder. Mas apesar de tudo, e a revolução que prometia dar a liberdade e a esperança ao povo, com uma democracia que parecia ser a salvação nacional, ainda deu os seus passos e até fez muita gente pensar que o paraíso era aqui mesmo, com altos e baixos, os portugueses lá iam caminhando de braço dado com a jovem democracia, lutando por outras conquistas, a conquista da dignidade no mundo laboral, pois os salários melhoraram, ganharam algumas regalias, produzia-se e construía-se a pensar num futuro que podia e devia ser próspero, o país até cresceu alguma coisa e o povo começou a ver que podia ser a oportunidade de ter a vida que até então não era possível e claro fez planos de nova vida, viver melhor, possuir bens materiais e algumas mordomias que todos temos direito, aquilo a que se chama desenvolvimento da economia, pois, povo que tem dinheiro, compra produtos, investe em negócios, enfim, o país cresce economicamente, tudo parecia correr sobre rodas, isto enquanto ainda existia o Escudo, depois entramos para a UE, e veio o capitalista Euro, até que a euforia do crescimento, começou a descarrilar para outros oportunistas, que logo pensaram em deitar a mão ao dinheiro que andava nas mãos do povo, e que seria melhor começar a recolher algum, e lá vieram os papões vendedores de ilusões a prometerem mundos e fundos a quem tudo comprasse a crédito, dando todas as vantagens, o descalabro começou, ninguém pensou que quando a galinha põe ovos de ouro, a desgraçada da galinha desaparece rápido e sem deixar rasto, depois como uma desgraça nunca vem só, alguém se lembrou de espetar com os aviões nas torres, do outro lado do Atlântico, e a poderosa América espirra, e pronto, a debilitada Europa constipou, e já está com uma pneumonia que pode muito bem ser incurável.

Com a tempestade que se seguiu, impôs-se as guerras para punir os culpados, mas que só piorou mais a situação económica em todo o mundo, e os grandes abanaram, mas os pequenos caíram por terra, e Portugal e os portugueses perderam tudo, o dinheiro, a casa o carro, o emprego, a confiança, a auto estima, a autonomia, e soberania, a esperança, e a única coisa que têm, é uma divida colossal, que pelos vistos, da maneira que os nossos governantes estão a proceder, nunca será paga, nem tão pouco os juros, pois a única solução que eles encontraram, é tirar todo o dinheiro às pessoas, o que vai aumentar o desemprego, e lançar o povo na miséria. O governo português e muitos outros da Europa e no mundo em geral, estão a fazer o mesmo como aquela rábula do dono do burro, que para poupar, deixou de dar as refeições ao animal, até que um dia, o burro morreu, e o dono quando deparou com o burro morto disse: Agora que estavas a dar lucro, é que morreste!        

Por isso chegamos à triste conclusão de que se as ditaduras não são o melhor para a sociedade, as democracias também nem sempre o são, visto que se nos dão a liberdade e nos tiram o pão, pode não ser uma boa relação entre o povo e o poder, e como se costuma dizer, casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, o que pode ser perigoso, e como já alguém disse, podemos estar perante uma convulsão social, ou na pior das hipóteses, vamos acabar por sofrer um AVC.

sábado, 22 de outubro de 2011

O erro colossal da Europa


A Europa e os seus iluminados políticos cometeram um grande erro quando pensaram em formar a União Europeia, pois os vendedores de ilusões pensaram em tudo e imaginaram o mar de rosas que seria a Europa Unida, uma moeda única, e a tudo isso juntar a terrível e desastrosa globalização, mas não pensaram no que poderia acontecer no futuro, um pequeno deslize e seria o desastre total, como se não bastasse começaram a fazer tratados e a impor normas e leis a todos os países, como se tratasse de uma federação, ou seja, uma Europa com um governo central, o que não é, nem pode ser possível, porque a velha Europa sempre sofreu de grandes problemas, tais como, a grande diversidade de países com grandes desigualdades sociais, económicas, culturais, e de desenvolvimentos industrial e tecnológico muito desigual, os países poderosos avançaram depressa demais, enquanto os mais pobres continuaram parados à espera que os outros andassem para depois seguir atrás, mas devagar muito devagar e alguns até quase não saíram do sitio, e o que aconteceu agora é que, em jeito de comparação, é como se um comboio de alta velocidade descarrilasse, e a locomotiva a carvão que ia atrás acabou por chocar nele.

Mas então os que queriam e criaram a UE são loucos? Podem não ser loucos, mas tiveram a inteligência e também um pouco de loucura em tentarem criar um Império, que poderia ser um bom negocio para as grandes economias dos países ricos e as grandes empresas, que com a globalização, formaram os super grupos económicos com a intenção de juntar as riquezas colossais, diminuindo custos com mão-de-obra barata, aumentando os lucros e assim repartirem os dividendos pelos seus gerentes e accionistas, e entrando no jogo da especulação, para ver quem derruba quem, e claro a corrupção pelo meio a trabalhar em prol dos seus interesses, tirando o máximo proveito da ocasião de desviar alguns milhões para os paraísos fiscais e offshore. Enquanto isto, foram arrastando os países pequenos para o abismo, pondo travão e condições, nos seus já debilitados estados miserabilistas da economia e desenvolvimento, impedindo estes de produzir, pagando até para isso, para que se comprasse aos grandes, isto sim foi uma atitude de loucos, ou seja de interesses, e neste mundo de injustiças, os grandes mandam e os pequenos obedecem, é horrível, por isso, e para mim basta-me, União Europeia, foi um erro colossal, pelo menos para os países pobres como nós e outros que já estão a sofrer na pele o descalabro a que chegou a Europa.

A moeda única, Euro, foi outro grande erro, porque economias fracas não podem aguentar a pressão de uma moeda muito forte, é o fim, é como termos a faca e o queijo na mão e não podermos usar a faca nem comer o queijo, porque temos as mãos atadas, muitos comentadores de assuntos políticos e económicos dizem que estaríamos pior se não estivéssemos na UE e se não tivéssemos aderido ao Euro, eu já não sei bem se fizemos bem ou mal ter entrado para a UE, mas se tivéssemos ficado de fora, podíamos estar agora a ver o comboio a passar, tristes, ou felizes, mais pobres, ou mais ricos. Mas podíamos estar na nossa modesta casinha, a viver com aquilo que tivéssemos, sem grandes euforias e aventuras desastrosas, e livres de um colossal trambolhão, o qual nos vai atirar para o auspício, de pernas partidas, cheios de fome e de cabeça a estourar de tanto doer por causa da grande embrulhada em que nos metemos.

Pois é, o paraíso que nos prometeram, acabou, o mar de rosas que era a UE, secou. A ilusão de grandes benefícios e facilidades de crédito em que os bancos e outras empresas de financiamento, gananciosamente impuseram aos seus clientes, acabou, as facilidades de comprar tudo, e a propaganda de, leve agora e pague depois, acabou, agora até há saldos todo o ano, e quase que oferecem os produtos. Mas será que todos estavam a pensar que estávamos no paraíso? Pois então acordem e vejam bem onde estamos, estamos na terra, onde muitos dizem, e com razão, aqui é que é o Inferno.

Todos sabemos que os problemas que estamos a passar não são só da Europa, mas é na Europa que se está a sentir mais os efeitos desta crise, e também é a actual causadora de que o drama se alastre ainda mais a todo o mundo, se continuar por muito mais tempo este impasse de prováveis incumprimentos de alguns países, mas quanto a mim, isto tudo se deve única e exclusivamente à grande especulação dos mercados bolsistas e a grande corrupção, que continua em grande e até a aumentar em muitos países, e que, como ela está inserida no meio do poder, não é possível combater, e assim pouco ou nada mudará, enquanto o povo continuar a permitir que tudo corra sobre rodas do lado deles, enquanto o mesmo povo vai rastejando para tentar equilibrar uma vida sem futuro.

Todo este problema da crise económica no mundo e em especial na Europa, começou a fazer-se sentir mais a partir dos atentados do 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos da América, o que era de prever, acontecer um verdadeiro terramoto financeiro, e claro, lançou o pânico, a desconfiança nos mercados mundiais, e os investidores acautelaram-se, mas quem se acautelou mais foram os corruptos e oportunistas, que com medo que o mundo desabasse, com medo de uma nova guerra mundial, ou com as guerras que se seguiriam aos atentados, como aconteceu, e ainda continuam na actualidade, o que parece estar a chegar ao fim, felizmente. Mas, se o terrorismo causou tanta tempestade, podemos ter que enfrentar outra, que pode ser ainda pior e que não se pode combater, é precisamente isso, o tempo, as alterações climáticas ainda poderão ter um terrível contributo para o caos económico mundial, e como é sabido, catástrofes naturais sempre existiram, mas ao que parece, desta vez teve uma mãozinha do homem, e mais uma vez, dos interesses económicos, o enriquecimento rápido e ganancioso, sem pensar nos efeitos que teriam para todo o ecossistema do planeta. Mais um erro colossal, não só da Europa, mas de todo o mundo.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O Império dos sentados


Este é um pequeno excerto da notícia que a comunicação social divulgou no dia 14-9-2011, neste caso, era o que estava escrito no Jornal de Notícias.

- (A população mundial vai atingir sete mil milhões de pessoas dentro de sete semanas, num mundo "de contradições" em que, lembrou o secretário-geral das Nações Unidas, a pobreza extrema convive com estilos de vida luxuosos).

Admira-me que o Sr. Secretário-geral das Nações Unidas diga isto! Afinal quem é que manda? Não são os governos? Como é possível haver corrupção nos próprios organismos do Estado e nas grandes empresas? Como se admite que as máquinas dos Estados criem tantos monstros? Então o povo está a ser roubado e não pode dizer nada, porque senão vai preso ou leva porrada quando protesta? Então como é Sr. Secretário-geral? As pessoas que gerem o mundo não deviam ser da inteira confiança do povo? Os políticos que tanto pedem sacrifícios aos que trabalham e a todos os cidadãos que pagam impostos, não são competentes para gerir o dinheiro que é do povo? Onde está o cumprimento do juramento, de cumprir e fazer cumprir com lealdade, as missões que lhes são confiadas? Se não cumprem, estão a cometer um grande erro, ou pior ainda, um crime. E não são chamados por ninguém, à responsabilidade e faze-los cumprir o prometido? As leis não são para todos? E o cidadão comum tem que cumprir todas as leis à risca, porquê? Eu como cidadão e ser humano sinto que os meus direitos não estão a ser respeitados. E agora como ficamos? Eu não posso votar em pessoas em que eu não confio, e quem votou, teve o mínimo de esperança de que alguém zelasse pelos interesses comuns e não particulares, mas infelizmente, ano após ano, década após década, mudam os governos, mas mantêm-se tudo na mesma, e o povo não pode reclamar por melhores condições de vida, porque eles acham que estão a pedir demais, eu e muitos cidadãos como eu, como simples trabalhadores que vivem exclusivamente do trabalho, vemos esse simples direito negado, e para sobreviver, ou caímos no mundo da marginalidade, ou mendigamos pelas ruas da amargura, porque simplesmente, quem nós elegemos não querem saber das dificuldades que passam os que não têm aptidão para roubar. Então que direitos nos restam? Ficarmos calados, deixar-nos humilhar e que acabemos por morrer de fome e sem assistência médica? Pois se não podemos confiar nos políticos que nos governam, então, em quem podemos confiar? Com o aumento da população, menos trabalho, menos condições de vida, o drama social não tarda, a criminalidade vai ser terrível, a fome negra, e a morte uma constante diária sem precedentes e sem controlo, o caos vai-se instalar e os mais desprotegidos serão as principais vítimas.

Pois é, o nosso mundo está a chegar a um ponto sem retorno, o aumento da população e os recursos cada vez mais escassos, não se esperam boas notícias, os culpados são muitos, mas ninguém assume, porque neste mundo todos mandam mas ninguém tem razão, e é evidente que a igualdade foi só uma palavra escrita, mas pouco utilizada na prática, porque como diz o Sr. secretário-geral das Nações Unidas, a pobreza extrema convive com estilos de vida luxuosos. Que pena que este mundo tenha criado este tipo de raça humana, tão cruel e gananciosa.

Este mundo não tem condições para tanta população, devido à falta de recursos, empregos cada vez menos, devido à tecnologia avançada e que industrialmente parece já tudo estar inventado, a escassez de alimentos por causa das alterações climáticas e pouco investimento nesta área, a falta de controlo demográfico, que não é só nos países mais pobres, enfim, o que há, tanto nos países pobres como até nos desenvolvidos e ricos, é um total descontrolo, onde todos fazem o que bem lhes apetece no que diz respeito a ter muitos ou poucos filhos, pois há uma enorme falta de sensibilização e informação junto das pessoas, e que com civismo, educação e cidadania tudo se resolvia da melhor forma, com compreensão sem ferir a sensibilidade de ninguém, mas como se sabe este assunto é delicado, e por isso teria que ser feito de forma estudada e com as devidas normas, ou seja, não impor, mas propor. Se nada for feito neste sentido, tudo indica que o Império está a chegar ao fim, para muitos já só resta esperarem sentados, para que se tomem medidas concretas e de resolução imediata, o que não me parece que venha a acontecer, se assim for, não valeu a pena tanto esforço de luta diária para que um dia todos tivéssemos uma vida melhor e feliz neste Império global, que devia ser de todos, e com igualdade de direitos, de amor e concórdia. E se a esperança é a ultima a morrer, então talvez um dia ela morra, e com ela se desvaneça o sonho de um privilegiado planeta Terra, que também lhe chamam, azul, e que do espaço até parece uma bola de cristal, de tão frágil que é, e tão rico de vida, mas que nós como seres pensantes, não sabemos respeitar nem preservar, valorizamos o poder económico, mas esquecemos o que é mais belo e de muito maior valor que existe, a nossa vida. Mas como tudo, há limites, só é possível preservar a vida, se houver condições de sobrevivência, se a população for exagerada, relativamente aos recursos de sobrevivência, é claro que não vai ser bom para ninguém, então a qualidade de vida será péssima, se não houver possibilidade de controlar o excessivo aumento de população, não há duvida que vai ser dramático para a humanidade lidar com este problema. Devemos ter em conta que, amar a vida e os seres humanos em particular, não é só a quantidade que tem importância, é preferível controlar a quantidade para que seja possível preservar a qualidade. A mim faz-me confusão quando vejo casos de casais que têm muitos filhos, e depois não têm meios para os sustentar e o pior ainda, é quando os tratam mal fisicamente, isto não é vida, é uma tragédia social. Enfim, esperemos sentados que mudem as mentalidades, e que prevaleça o bom senso de quem manda neste Império global, em decadência.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A última fronteira


Vivemos num planeta que aos nossos olhos até pode parecer grande, mas na realidade até é muito pequeno, depende do ponto de vista, se pensarmos só no que vemos à nossa volta, vemos que tudo é imenso e que até para nos deslocarmos, todos os lugares são de difícil alcance e por isso desenvolvemos vários tipos de engenhocas para nos deslocarmos de forma mais ou menos rápida e cómoda, e desde cedo na evolução do homem que nos apercebemos como isso era importante, e logo que possível o homem descobriu a roda, porque até então o homem via-se confinado e limitado a viver encurralado numa região e pensar que o mundo era enorme, intransitável e impossível explorar outras terras, só depois de muitos anos de evolução o homem começou a ter esse privilegio de conquista e as grandes viagens começaram. Só então começaram a ver que o mundo era realmente grande mas que também este tinha limites, por muito que andassem, o seu caminho também tinha um fim e voltavam sempre ao ponto de partida.

Hoje, com toda esta evolução vemos que afinal este planeta é muito pequeno, as deslocações são mais rápidas e até já saímos para o seu exterior para novas experiências e na tentativa de descobrirmos quem somos, de onde viemos, para onde vamos, e o que mais nos tem intrigado, se há mais alguém para além de nós em outros planetas, que como sabemos são muitos, muitos mais do que é possível imaginar neste imensurável universo, que faz do nosso planeta um minúsculo pontinho insignificante.

E a nossa vida? Que fronteiras nos limitam? Pois é, já evoluímos muito, já descobrimos muito e passamos muitas fronteiras, mas a nossa vida continua limitada em muitos aspectos, no tempo, na qualidade, sabedoria e humanismo. Ainda não sabemos de concreto se estamos sós no universo, o que nos deixa perplexos, se assim for, e como foi possível tal acontecer, e que importância tem existir vida apenas num ponto do universo, pois para mim, ao contrário de muitas coisas terem limites, a natureza não tem limites, e com certeza não ia concentrar toda a matéria que deu origem à vida num ponto só, e por isso a vida pode estar em todo o lado, apenas há fronteiras intransponíveis, pelo menos para nós, para encontra-la. Vamos pensar que os homens tenham o bom senso de preservar a vida neste planeta, e que evolua positivamente, para que um dia possam descobrir outros seres que possam ser contactáveis, para que o homem descubra de vez as suas raízes, quem somos, o que somos, e o que queremos, e sobretudo que os outros seres nos digam, qual é a ultima fronteira, se é que ela existe.

Mas sendo este tema um pouco controverso e que até mexe com algumas crenças religiosas, mesmo assim corro o risco de dar a minha opinião muito pessoal e sem querer ferir susceptibilidades. Muitos dos mistérios que ocorreram e ainda ocorrem neste mundo e que tanto intriga os humanos, é o facto de muitos acontecimentos que, quer sejam de ordem natural, ou sobrenatural, tudo tem ou terá uma explicação, embora muitas vezes nem sempre a tenhamos encontrado, o que é certo é que não há maior mistério que é a própria natureza, o que acontece no universo é tão fenomenal que os mais inteligentes cientistas ficam incrédulos com a colossal façanha com que o imenso universo os surpreende, e que é de uma beleza que os emociona, de tão rara e pura que é, e nós que fazendo parte dele, só nos podemos curvar perante ele (universo) e pensarmos que, ele sim, é o nosso Deus o nosso verdadeiro pai e a nossa verdadeira mãe, de resto tudo o que se passa aqui neste pequeno planeta, que não passa de uma colónia, de uma réstia de vida, que por acaso surgiu neste ponto desta galáxia entre muitas outras, milhares de milhões, e de muitos outros milhões de milhões de estrelas e sistemas solares, que por sua vez tem os seus planetas à sua volta a fazer companhia e que muitos também terão a sua vida, vegetal, animal, seres inteligentes, como nós ou muito mais avançados, com inteligência muito superior à nossa, e quem sabe se não teriam sido os nossos mentores, tudo isto é possível, neste universo tudo é possível e ao ser, explica muita coisa que acontece neste mundo e que nós achamos estranho, mas que na realidade é muito banal, só não o é para nós, porque ainda somos muito atrasados, tecnologicamente e mentalmente. Como o universo tem uma idade superior a 13.000.000.000 de anos, e a terra tem 4,5 mil milhões, é provável que a vida tenha surgido à muito mais tempo no universo em algum lugar e não só há alguns milhões de anos como aconteceu aqui na terra, por isso se fizermos a comparação de idades vemos que ainda existimos há pouco tempo, por isso sabemos tão pouco do universo e até de nós próprios, porque ainda não descobrimos o que está para lá da fronteira do conhecimento, que é a porta da sabedoria aprofundada e real da nossa existência e da nossa vida. O mistério continua, mas não vale a pena usarmos a nossa imaginação fértil em inventar credos e religiões para nos confortar a alma, ou o espírito, pois essas coisas mágicas só fazem parte mesmo da magia e imaginação que apenas nos confunde mais as ideias e acabamos paranóicos de pensar em tanto misticismo irreal, quando a realidade é mais terrena e natural, nós como parte integrante da natureza, nascemos, crescemos e morremos, e outras gerações se seguirão, até onde for possível, assim como o universo continuará no seu caminho com as suas transformações, evoluções, até à última fronteira, onde todas as luzes se apagarão e apenas o silêncio e a escuridão existirá até que um novo ciclo se inicie, e assim tudo se repetirá eternamente como sempre foi e continuará a ser, pois a matéria no espaço sempre existiu e sempre existirá, ela apenas se transforma, nasce progride e morre, no espaço infinito onde abunda a matéria deste universo, que também ele é infinito, visto que a morte do universo não significa o fim de tudo, pois ele voltará algures no espaço e no tempo, numa incompreensível mutação que está muito para lá da nossa compreensão, e para espanto nosso e para dificultar ainda mais a nossa compreensão e até a nossa imaginação, muitos conceituados cérebros da astronomia, já falam na hipótese de haver mais universos paralelos a este ou haver uma infinidade de universos no espaço, que sendo infinito, não é um lugar que tenha limites, logo poderá haver tantos universos quantos a natureza disponha de matéria, que pode ser limitada ou não, muito provavelmente nunca nenhum ser inteligente irá saber.

Voltando ao nosso planeta, gostaria de salientar o grande acontecimento de à 2011 anos atrás, que foi, ou pelo menos todos estamos convencidos que foi, um grande acontecimento, que foi o nascimento de um ser à nossa imagem de forma milagrosa para a época, a que deram o nome de Jesus, eu digo de forma milagrosa, porque realmente naquele tempo seria impossível uma mulher gerar um filho sem ter relações sexuais com um homem, pelo menos é o que reza a história, mas como sabemos hoje isso já é possível com a fertilização in vitro, mas claro que naquele tempo era impossível, se assim foi, o que pode ter acontecido é que houve uma intervenção exterior, uma inteligência superior, que não sendo terrena só podia ser de uma civilização muito avançada de fora do nosso planeta, o que levou à fértil imaginação dos povos que, ignorando essa possibilidade da existência de outros seres inteligentes extra terrestres, sempre pensaram que tudo se devia a obra de um Deus, mas que até hoje ainda ninguém sabe explicar em concreto quem é esse Deus, mas também ainda ninguém deu garantias da existência de tais seres extra terrestres. Mas esse Deus pode ser realmente esses seres inteligentes que visitaram o nosso planeta e puseram o tal Jesus entre os homens numa tentativa de mudar o rumo do caminho da humanidade, que pelos vistos já naquele tempo, dava sinais de um destino pouco promissor e humano, o que acabou por se tornar infrutífero todo o esforço de Jesus devido a tal ignorância, arrogância, desrespeito pela vida humana, corrupção e poder doentio dos homens, que escravizavam o povo em prol do seu bem-estar e soberba, o que pelos vistos conseguiram sobreviver até aos dias de hoje, o que nem Jesus fez com que mudassem de ideias, e o que era de esperar acabou por acontecer alguns anos mais tarde foi condenado à morte por apenas querer mudar o mundo e as mentalidades, tentou lutar contra os opressores do povo, proclamou mais justiça e compreensão, queria banir a corrupção, ajudou os doentes, alimentou os pobres com fome, espalhou por toda a parte os ensinamentos adquiridos de seus mentores do mundo exterior, e teve o fim que teve, o que prova a tamanha cobardia e arrogância dos homens para atingirem os seus objectivos. Imaginem o que aconteceria hoje se um homem chegasse a primeiro-ministro de um país qualquer e tivesse a infeliz ideia de querer acabar de vez com a corrupção, o capitalismo selvagem e distribuir as riquezas pelos mais necessitados, provavelmente iria direitinho para o manicómio e não tardaria a aparecer morto, por isso os povos serão sempre cobaias do sistema, e o sistema será sempre gerido por deuses do poder, que nem Jesus conseguiu dominar, apesar de tantos milagres que concretizou com os poderes que lhe foi cedido pelos seus progenitores, não os terrenos, mas sim os seres inteligentes vindos de outro planeta, com o objectivo de tentar ensinar o caminho mais digno e humano para este mundo que caminha a passos largos para a decadência e auto destruição se nada mudar. Se nem os deuses do universo nos podem salvar, quem nos salvará? Provavelmente, ninguém, mas a vida continuará, se não for neste planeta, será nos outros que com certeza continuarão a fervilhar de vida, se calhar mais justa, mais digna, e menos cruel.        

Quero aqui realçar que não consigo encontrar uma explicação mais convincente que esta, a possibilidade de sermos realmente uma espécie de entre muitas outras espécies espalhadas pelo universo, e de que realmente existe outras civilizações mais inteligentes que nós, porque essa do Deus de que nos falam as religiões, não fazem sentido, e estou convencido de que é apenas uma imaginação e um grande sentimento das nossas fraquezas e por nos sentirmos tão sós e desorientados da realidade que nos rodeia, a mente humana quando fraqueja tenta sempre procurar refugio no mais lógico e imediato, e na ausência de melhores explicações e sabedoria, tudo nos leva para o caminho espiritual, mesmo sem sabermos o que é na realidade nem tenhamos provas da sua existência, os deuses que as religiões tanto aclamam, têm tanto de enfadonho como de real, ou então são réplicas, dos deuses de que eu falo, e que se impuseram nas nossas vidas para nos guiar e ensinar o melhor caminho a seguir, mas como eu disse, nós devemos ter um grande defeito, pois somos cabeça dura e não aprendemos as lições mesmo com os melhores professores, e por isso os deuses devem ter motivos para estarem zangados connosco e o que é certo é que temos sido muito castigados, não propriamente pelos deuses, mas sim pelos nossos próprios erros. Pois as portas da felicidade não se abrem facilmente, por isso a última fronteira pode estar fechada para nós terráqueos, mas quem sabe essa porta se abra e descubramos os mistérios que se escondem para lá dessa fronteira e fiquemos a saber que nunca estivemos sós no universo e que o segredo da vida, não é só viver, é preciso saber viver, e para isso, não basta alimentar o corpo e a alma, não é com prazeres e egoísmos, ou com missas em igrejas ornamentadas com figuras fantasiadas e expostas em altares, com personagens de contos de fadas, sem sentido nenhum, e ainda para cúmulo com credos diferentes e a contradizerem-se e a confrontarem-se com outras religiões, o que tem causado fanatismos e guerras sangrentas o que em nada favorece essas religiões, e que só prova que também não é a religião que nos ensina a viver nem nos salva de nada, o que nos podia fazer viver e salvar só podia ser a harmonia total, a entreajuda entre todos, trabalhar todos em conjunto com o único objectivo de dividir por todos o produto do trabalho, não houvesse discriminações, houvesse compreensão, que todos estivessem em equilíbrio social, mental, e acima de tudo, só existisse o amor e nunca o ódio, mas como tudo isto é impossível, só nos resta esperar do lado de cá da fronteira, vivendo como sempre quisemos, encurralados num hospício, desesperando de tédio e mergulhados na ignorância de um caldeirão de estupidez atroz, que nos vai levar ao extermínio total, só porque preferimos dar ouvidos aos charlatães, alimentamos as suas razões e que por essas razões estamos como estamos, vivemos uma vida de desilusão.   

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O peso da idade


Os anos passam e as pessoas envelhecem, o que é normal, mas o que não é normal é que os idosos comecem a ficar esquecidos pela sociedade e que muitos considerem que são um incómodo para as suas vidas tão agitadas que não deixa margem de manobra para cuidar deles, ou muitas vezes por comodismo exagerado, apenas se sentem indiferentes e os desprezam porque dão despesa, trabalho e chatices, pois é, e se não há dinheiro, então é que as coisas se complicam, mas se há, até se faz um esforço para aguentar o fardo, nem que seja mal tratado. Mas que culpa têm os idosos de envelhecerem? E não vamos todos passar pelo mesmo? Quando os outros fizerem o mesmo a nós, de certeza que não vamos gostar. Infelizmente até no resto da nossa vida é preciso ter sorte e dinheiro para pagar a alguém que nos trate bem, e assim ter um fim de vida digno de um ser humano, mas enquanto uns nascem num berço de ouro e morrem num leito dourado, outros nascem num berço de palha e morrem num palheiro, dizem os sábios que é a lei da vida, mas eu que só sei que nada sei, acho que a vida é que devia fazer a lei, e não ser tão cruel para com a sociedade, e os males a apontar são muitos. É certo que nem todas as pessoas aproveitam as boas oportunidades para serem felizes e terem uma vida digna, mas a maioria passa a vida a fazer grandes sacrifícios para vencer e, ou por má sorte, ou por injustiças, acabam por ter um triste fim.

Nos tempos que correm temos assistido a dramas de violência e desrespeito para com os idosos, que são de lamentar, e condenar severamente quem os pratica, tanto em lares de acolhimento como nos seus próprios lares, que muitas vezes são vítimas de maus tratos, físicos, psicológicos e até de negligências, mais dramático é quando isto se passa em suas casas, pelos próprios familiares. Outro drama que tem sido notícia, é os ladrões oportunistas que se fazem passar por funcionários de bancos, segurança social, carteiros e tudo o que se possa imaginar, com contos do vigário para lhes tirar todas as poupanças que tanto lhes custou a ganhar e até o simples vencimento da pensão de reforma, que em muitos casos é o único sustento que têm para todo o mês, isto é muito triste e é incrível como alguém tem a coragem de fazer tamanha maldade, é no mínimo revoltante, odioso, um crime que raras vezes tem punição, por ser difícil apanhar quem o pratica.

Muitos idosos podem parecer rabugentos, e são porque a vida os fez ser assim ou simplesmente por mau temperamento e até devido a doenças de foro psicológico, por força da idade e não só, mas também há idosos que são de uma simpatia delirante e de uma alegria radiante, que até parece que vendem saúde e felicidade, que fazem transparecer para os mais novos uma fonte radiante de luz e sabedoria que nos espanta e nos faz pensar que a idade não é um obstáculo, a velhice é um posto, e acima de tudo é quando estamos para partir desta vida que fazemos falta, assim o corpo o permitisse, porque a alma, essa é sempre jovem.  

Os idosos mereciam mais respeito, dos familiares, das instituições, do estado, da sociedade em geral, porque afinal todos ajudaram a sociedade, e é triste que a sociedade os despreze na altura em que são eles a precisar de ajuda. O que pode pensar uma sociedade que devia ser pura e socialmente correcta, ao ver idosos nas ruas a pedir esmolas para ter algum sustento, quando estes idosos, grande parte deles passaram uma vida a trabalhar, e agora se vêem marginalizados pela sociedade e muitas vezes até pelos próprios familiares, é óbvio que esta sociedade ao ver estas situações devia sentir repudio, vergonha, e pensar que hoje são eles e que amanhã somos nós. E o estado, que responsabilidade tem perante estas situações? Que papel vergonhoso tem no apoio que dá? Já não precisa deles, não é? E isso o que é? Cobardia, desprezo, desrespeito pela dignidade humana. E se o próprio estado não cuida nem respeita o seu povo, para que serve haver uma dúzia de incompetentes a ditar leis que não são respeitadas na sua principal vertente que devia ser: Primeiro está a pessoa humana, e só depois tudo o resto. Mas não, não se olha a meios para atingir os fins. E o que se vê? Tragédias, injustiças sociais, pessoas a viver em situações pior que alguns animais, que diga-se de passagem, às vezes tenho inveja da vida de alguns animais, como os nossos grandes amigos cãezinhos, que muitas vezes são mais bem tratados que os idosos ou qualquer pessoa, independentemente da idade. Não é fácil viver numa solidão sombria, que mesmo vivendo numa cidade, ouve-se um silêncio ensurdecedor, atormentados pela doença, ou angustiados por ter vivido e não terem uma vida feliz, esperam a morte que não tarda nada, finalmente descobrem que a vida não vale nada, principalmente quando não é valorizada.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Até quando vamos aguentar a pressão?


Os políticos fazem jus à sua arte e tentam enganar o povo, fazem tudo para tentar acalmar os mercados e todos os dias batem na mesma tecla, de que as coisas vão melhorar, quase sem dentes de tanto mentir e carecas de saber que nada está bem, parece que já não conseguem convencer ninguém das suas politicas mal geridas e sem fundamento, sem poder para impedir os especuladores, que mais parecem parasitas, sem poder para governar a Europa nestes termos políticos, em que fazem parecer que a Europa é uma união, mas que de facto é uma desunião cada vez mais desigual, porque a Europa não é a América. Os Estados Unidos da América tem um governo federal que faz da união um país, e a Europa é uma união de vários países, cada um a puxar para seu lado, ora isto não é uma união mas sim desunião, onde há ricos e pobres e os ricos mandam e os pobres obedecem, como podemos chegar a algum lado, com tantas diferenças sociais, tanta pobreza, tanta corrupção, e tanta gente a mandar sem saber bem o que andam a fazer.

Quando ouvimos os políticos a falar, até parecem convincentes e com a razão do lado deles, pois eles são especialistas em falar e ludibriar o povo, sempre optimistas, transmitem a ideia de que está tudo bem e que o povo se queixa por tudo e por nada, que não está tão mal como isso, pois é, eu entendo isso, a mentalidade do egoísta, é que se eu não tenho fome, como é possível que aquele mendigo diga que está com fome, ou então passar por ele e dizer: coitadinho deve estar cheio de fome, mas não lhe dar nada, é claro que os políticos governantes ao ganharem milhares de euros, em casa deles está tudo bem, como é que vão entender a vida desgraçada de quem ganha 500 euros, com filhos para criar, e ainda são massacrados com aumentos da despesa em casa, aumento brutal de transportes, na saúde, impostos e sobretaxa a abater no já minúsculo ordenado, que não chega para sobreviver, porque o dinheiro acaba mais depressa que o mês.

Nem a Europa, e muito menos Portugal vão conseguir os objectivos que planearam se continuarem assim, as desigualdades, as diferenças culturais, sociais, as injustiças e a brutal corrupção, que está e continua a arrasar a economia e que ninguém consegue controlar. Uma coisa é certa, com toda esta turbulência económica, alguém deve estar a governar-se e pouco interessados nos outros. É preciso repensar a Europa unida, se deve continuar, ou se cada um deve ficar na sua casinha e governar-se com o que tem, porque isto de mandar na casa dos outros não dá certo.

Este artigo foi publicado neste blogue em Maio do ano passado, com o título, (A Europa não é a América) e ainda está actual, o que só prova que infelizmente a minha opinião pessimista não tende a ser optimista, até que eu veja que algo vai mudar para melhor, mas com esta Europa e este Mundo aristocrata como tem sido, temo que os povos com muitas dificuldades venham a viver num inferno ainda vivos, e ainda vão desejar que a vida seja muito mais curta neste mundo, e o pior é que não têm culpa nenhuma e os culpados continuam tranquilos. Eu desejava que a resposta a esta pergunta fosse em breve respondida com optimismo, que nos dissessem que os sacrifícios valeram a pena e que as coisas estão a melhorar, mas com veracidade, e que se concretize, caso contrário. Até quando vamos aguentar a pressão?

segunda-feira, 18 de julho de 2011

FOME


A fome no mundo é um drama dantesco, horrendo, vergonhoso e continua a fazer milhões de vitimas, mas o que se tem feito não é o suficiente, e parece que muita gente neste mundo vai continuar condenada a uma pena de morte, mesmo sem ter feito mal a ninguém, milhões de pessoas com fome no mundo, para muitos é a sentença de morte, porque os alimentos que chegam nem sempre chegam a tempo de os salvar, e não chega a todos, é mais um problema das políticas praticadas por governos que já não raciocinam, não por falta de alimentação, mas por comerem de mais, pois a agricultura ainda não faz parte da ementa politica deles, porque eles ainda não sabem o que é a fome, não sabem o que é morrer um bocadinho por dia, durante muitos dias, não sabem o que é uma pessoa perder as forças ao ponto de não se poder levantar nem tão pouco sacudir os mosquitos que lhes cobre o rosto, verem a carne a derreter, dia a dia, os ossos a sobressaírem da pele e os olhos a saírem das suas órbitas, não há maior filme de terror como aquelas imagens que toda a gente já viu nas televisões e muitos já viram ao vivo, aquele inferno, que afinal é este mundo.

Mais uma vez se põe o problema da crise. Mas afinal quem é que fez a crise? Quem especulou? Quem roubou? Quem arruinou a economia? Os pobres não foram, então porque será que têm que ser sempre as principais vítimas? Os principais causadores, ainda beneficiam desta ruína financeira, pois o que vemos é os governos a ajudar os impérios, para que não caiam na desgraça, que seus gerentes causaram, rios de dinheiro continuam a cair num saco roto como chuva a cair no oceano, e o investimento nas guerras também continua dantesco, para alimentar interesses dos que se dizem senhores do mundo, é odioso pensar que o dinheiro que se gasta nas guerras dava para alimentar estas pessoas que sofrem de má nutrição e evitar que muitas morressem à fome, investir na agricultura onde esta fosse viável e fazer chegar os alimentos às regiões mais fustigadas pelo clima.

As alterações climáticas, vão agravar ainda mais este drama para juntar às asneiras dos donos do mundo que contribuíram e continuam a contribuir para que as alterações climáticas cheguem mais cedo e de forma mais violenta, que vai espalhar o caos neste planeta, que está a ser destruído por mãos criminosas, em nome da economia, que afinal, mesmo assim, está arruinada.

Já é a segunda vez que eu publico neste blogue um artigo sobre este tema, mas nunca é demais lembrar e repetir vezes sem conta este drama, e a comunicação social também tem chamado à atenção para este terror que se vive em África, e não só, a fome abunda por todo o mundo incluindo os países desenvolvidos, isto por causa das crises financeiras que alguém teve o interesse de as criar em proveito próprio, marimbando-se para quem padece com este descalabro. Se esta crise existisse, mas se víssemos que foi por motivos de acabar com a fome no mundo, até era bem aceite por todos nós e daria mais gosto sacrificar-nos em pagar esta crise, mas o pior é que estamos a pagar e não sabemos o que foi feito ao dinheiro, pois ele desapareceu e ninguém sabe em quê, ou melhor sabemos mas não podemos dizer, o que é certo é que a crise vai continuar, a fome vai continuar e com tendência a aumentar, mas por outro lado, os hotéis de luxo continuam cheios, as grandes fortunas acumulam-se, e o povo continua a assistir impávido e sereno.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Onde está o dinheiro?


Perguntar onde está o dinheiro, é fazer uma pergunta desnecessária, ou talvez não, pela seguinte razão, chegou-se a uma situação em que a palavra de ordem é: Não há dinheiro para isto, para aquilo, para nada. Mas todos nós sabemos que o dinheiro existe, até porque ninguém o deitou fora, para o lixo, ou o queimou, pois não? Então a pergunta que faço tem algum sentido. A resposta é que é difícil e complicada de dar, porque os que o têm, não dizem a ninguém, os que sabem, também não querem estragar a amizade, que se já era grande passou a ser muito maior, sabendo que o amigo ficou gordo de um momento para o outro, e isso pode ter alguns benefícios se mantiver conivente, e é claro que na mente deles paira a mentalidade de se estarem a marimbar se estão a prejudicar o país inteiro ou não, o mexilhão é que continua a dar com a carapaça nas rochas, mas para eles o que interessa é o bem-estar deles, e os burros que paguem a crise.

É injusto que façam desaparecer o dinheiro que é de todos os contribuintes e que ninguém se preocupe em ter a sensatez de fazer algo que dignifique a imagem do país que com tudo isto fica muito mal, e o pior é que o povo é a principal vítima de tudo isto, porque nunca teve proveito e ainda para cúmulo é quem paga as consequências dos que se apoderaram da riqueza dos que verdadeiramente trabalham criaram, um povo que sempre trabalhou muito e pouco ganhou, que construiu um país, que mesmo a ser modesto, sempre foi honrado, é triste, e penso muitas vezes se este povo não será masoquista, porque apesar de tantos sacrifícios vai sobrevivendo, submetendo-se a tanta humilhação e sem se revoltar, o que dá uma maior liberdade aos corruptos de fazerem o que bem lhes apetece, pois não encontram qualquer tipo de resistência.

Este país que sempre esteve endividado, vai ficar agora enforcado de vez, sem qualquer hipótese de saldar a divida, ou então vamos ficar sem qualquer tipo de subsistência para viver, o que não vai fazer com que se resolva os problemas, pelo contrário, será uma tragédia.

Faz-me confusão como estas pessoas que tanto mal fazem, se sentem tranquilas e impunes, intocáveis, como se fossem santos, e mesmo quando são castigados, nem por isso são castigos exemplares e rigorosos, e são tratados com todas as mordomias como pessoas importantes, o que deviam logo deixar de ser, como o criminoso comum, isto é caricato e dá vontade de rir.

As crises existem por vários motivos, ou é pelas guerras, pelas tragédias, ou pelos interesses, pelas duas primeiras, depressa se recupera, pela última dificilmente se recupera, porque este mundo foi feito à medida de alguns homens, por isso não cabemos todos nele. É como se costuma dizer: A ocasião faz o ladrão. Mas o ladrão também procura a ocasião.  
  
 

domingo, 12 de junho de 2011

Amor


A palavra amor é usada muitas vezes de forma vulgar, sem sentimento, ou simplesmente ignorando o significado da palavra, ou pior, ignorando o que é realmente o amor, como toda a gente sabe o ser humano é muito dado às afectividades ou paixões, sejam elas pessoais ou materiais, mas para a maioria das pessoas quando se fala de amor, associam-no ao contexto sexual, raras vezes o relacionam ao amor universal, e muito menos quando se trata de pessoas que não conhecem, ou pior, as marginalizadas pela sociedade, pois é, é aqui que eu encontro o ponto fraco desta tão badalada palavra com tanto significado, e tão desprezada no seu principal fundamento. Por exemplo: No caso de casais, é triste que muitos pensem que o amor é só para aquilo que é belo, o homem ama aquela mulher porque ela tem boa aparência, ou a mulher ama aquele homem porque ele tem boa aparência, no entanto as aparências iludem, porque muitas vezes ele só dura enquanto tudo corre bem, porque se algo corre mal, depressa vai tudo por água abaixo. Mas então onde está o amor? Se há amor, ele não pode desmoronar apenas porque há problemas! Se isto acontece, é pura falsidade quando disseram um ao outro que se amavam, é triste que no amor haja desconfianças de parte a parte, que haja brigas desnecessárias, se o amor for verdadeiro, nunca pode acontecer destas coisas, porque o amor verdadeiro é só um, ou seja, o que era um par passa a ser apenas uma unidade, o que significa que o que é único é consensual e universal.

No seio familiar é a mesma coisa, o amor tem que ser só um e puro, nunca, mas nunca devia haver diferenças e muito menos preconceitos, apenas deve ser imposta educação, com o objectivo de que o ser humano só deve seguir o caminho do amor, e que o amor é para todos sem excepção, não se deve amar mais, os que são mais bonitos, mais inteligentes, ou mais saudáveis, e nunca deve haver violência, porque mais uma vez no amor verdadeiro, apenas faz sentido a concórdia, se a boa educação estiver, e tem que estar aliada ao amor, mas claro que tudo isto é muito difícil conciliar, por isso é que eu acho que o amor verdadeiro não existe, é o que me fez escrever este artigo, porque eu ouço tantas vezes as pessoas a proclamarem esta palavra, que dá vontade de rir, quando vejo que na realidade não há o mínimo de veracidade no que dizem, enfim, o amor tornou-se banal na boca de toda a gente, mas não é posto em prática, porque a vida real passou a ser uma réplica das novelas e cinema, em que o publico acredita que as cenas dos actores são tão reais e emocionantes, que faz transparecer que o amor existe, só que a realidade volta quando termina o filme, e vemos que a verdadeira ficção é a nossa vida. 

Também queria tocar no assunto do amor universal, entre os povos, que afinal também é uma raridade impressionante, o que vemos é cada vez mais ódios e revoltas, devido às más políticas, mas não só, nota-se uma grande apatia entre as pessoas, devido a fanatismos exagerados, e xenófobos. É muito visível a indiferença para com os outros, quando o tão falado amor, se fosse real, devia ser de unidade e solidariedade para com os outros. É revoltante, quando há uma catástrofe, ouvir as notícias na comunicação social e até da boca das pessoas comuns: Não há vítimas do nosso país. É normal que nos preocupemos com os nossos, mas, os outros, sejam quem for, também são humanos, não são menos importantes que nós. Por isso eu digo, falem-me de amor mas mostrem-me que ele existe, caso contrário, digamos que somos todos mais ou menos amigos.



quarta-feira, 8 de junho de 2011

O Fim da Linha


Muitos doentes terminais sofrem penosamente, não só pela doença, mas também por saberem que a sua vida está a chegar ao fim e nem sempre tiveram a vida que mais desejaram, e lamentam que tenham dedicado grande parte da sua vida ao trabalho que muitas vezes nem sempre foi devidamente compensado, tanto monetariamente como no seio da família e amigos, pois a maioria das pessoas não têm muito tempo para elas nem para dar a devida atenção aos que mais ama, também lamentam que a felicidade lhes tenha passado ao lado, lamentam a solidão, lamentam a falta de apoio e carinho, lamentam ter vivido num mundo onde não se vive mas sim sobrevive-se, com muito sofrimento, muitas desigualdades e injustiças sociais.

Quando chegamos a uma certa idade olhamos para trás e reparamos que o tempo passou depressa e que a experiência de cá andarmos não foi das melhores, nem sempre os objectivos foram cumpridos, nem alcançamos a tal dignidade e felicidade a que todos deviam ter direito. Por força maior do destino que nos prega partidas sem contarmos ou por imposição de outros, nós nunca somos donos de nós próprios, desde que nascemos até morrer, que temos um caminho limitado e estreito, porque também não nascemos todos com a mesma sorte, passamos a vida a trabalhar, projectamos o futuro como se a vida fosse eterna, alargamos os nossos horizontes, grandes planos, e enquanto preparamos isto tudo, o tempo passa e quando olhamos para o calendário da vida e vemos que o prazo está a esgotar e que afinal não construímos nada para nós, mas sim para os outros.

Quando a idade pesa, as doenças surgem e então paramos, pensamos, e finalmente a calmaria depois de uma correria desenfreada para alcançar o mundo. O pior é que muitas dessas doenças são provocadas pelo trabalho árduo e sem as devidas precauções durante a actividade profissional. Finalmente chega o descanso forçado do guerreiro, chega o momento de fazer contas à vida, e o balanço até pode ser positivo, o que nem sempre acontece, e então pensamos. O tempo passou e nem dei por conta, cheguei a este ponto e nem pensei em mim, agora chegou a hora, é o meu fim. Todos sabemos que a vida é assim, tem um princípio e um fim, mas se for uma vida com mais dignidade, sem sobressaltos e menos euforias. Podemos ter um fim mais tranquilo e sem lamentos. 
  

terça-feira, 7 de junho de 2011

Alterações climáticas


Muito se tem falado e escrito sobre as alterações climáticas, e na verdade ela existe, e sempre existiu, porque o planeta está em constante transformação assim como todo o sistema solar e até o universo, é normal e natural, o que não é normal é a rapidez com que está a acontecer no planeta terra, o que significa que nós estamos a contribuir para esse efeito. O nosso avanço tecnológico evoluiu de forma rápida e descontrolada, os nossos amigos do capital só pensaram nisso mesmo, no capital, dinheiro rápido e muito, pois é, a nossa pressa de enriquecer, adiantou a nossa destruição. Mas para quê pensar nisso? A vida é curta e o que interessa é vivermos bem enquanto cá estamos! Isso é o que a maioria dos grandes empresários pensam e até nem admitem que as alterações climáticas tenham a ver com a indústria, ou a evolução descontrolada, um pensamento errado e egoísta, porque o mundo não é só dos que estão cá agora, as próximas gerações vão sofrer tanto que vão interrogar-se sobre tamanhas barbaridades que os seus antepassados fizeram, sem pensar nas consequências futuras na vida do ecossistema do planeta, em prol de uma economia feroz, cobarde, e desleal para com os restantes seres humanos, que na maioria não teve qualquer proveito disso, e sempre foram os primeiros e os que sempre mais sofreram com as tragédias dos temporais mais frequentes e impiedosos que se tem abatido um pouco por todo o mundo, sim, porque as tempestades sempre existiram, mas temos visto que não são com a normalidade de algumas décadas atrás, são com muito mais frequência e destruidoras, são notórias as tempestades repentinas e brutais a provocarem cheias anormais e em alturas do ano que não se esperava que acontecesse, o que acaba por apanhar muitas povoações de surpresa, e por provocar muito mais vitimas.

O aquecimento global, como todos sabemos, também já está a provocar um grande aumento de secas extremas e não é só nas zonas habituais, está a acontecer onde não é normal acontecer, o que vai causar grandes problemas para as populações e economia global, que já é frágil mas terá tendência a continuar ou piorar, os alimentos mais escassos, mais fome, mais doenças, mais miséria. Outro grande problema é o degelo polar, que já é desastroso e a um ritmo assustador, o que vai provocar a subida das águas dos oceanos, as populações costeiras terão grandes dificuldades em se manterem junto das praias, pois estas têm tendência a desaparecer e algumas habitações também.

Não quero dizer que vivêssemos sempre na idade da pedra, mas o que está em causa, são questões políticas, educação social, respeito pela humanidade e inteligência, podemos evoluir, se pensarmos em todos os pormenores para minimizar os efeitos desastrosos da poluição ambiental que afecta o planeta e principalmente de quem vive nele. Quem tem inteligência para inventar todos os produtos que fazem parte da nossa vida moderna, também tinha que ter a inteligência e o bom senso de tratar dos resíduos, dos gases poluentes e das águas, mas o pior é que quando se inventa produtos que são menos poluentes, alguém tem o interesse que esses produtos não tenham muita saída, estou a falar do caso dos automóveis eléctricos, das energias renováveis, e os produtos reciclados, que para cúmulo, alguns destes produtos são mais caros, e pouco divulgados, mais uma vez os interesses económicos falam mais alto.

Quem alerta para os problemas é que parece ser o mau da fita, pois então deixemo-nos estar sentados a ver o filme, à espera que a natureza trate de nós, já que nós não tratamos dela! Só me resta dizer uma coisa aos senhores que mandam e controlam este mundo, não se esqueçam que também são humanos e não estão imunes às catástrofes, alguns especialistas sobre questões ambientais acham que já não há volta a dar, as alterações climáticas estão aí para ficar, as consequências já são visíveis, mas pouco relevantes para o que nos espera, as previsões são dramáticas, mas o que se tem feito é pouco. O que eu pergunto é o seguinte: Será que valeu a pena correr o risco? Se não pensamos nas futuras gerações, porque é que procriamos? Porque construímos para depois ser tudo destruído? Será que somos loucos e não sabemos que o somos? Nós não somos pela vida, somos pelo dinheiro. Morremos ricos e sem nada, ou pobres e com mágoa.




domingo, 5 de junho de 2011

Fumar mata


Que fumar mata, toda a gente sabe, mas a maioria continua a não saber como se livrar de tal vício, que é o de fumar. Eu também já fui fumador, e felizmente consegui deixar de fumar e não foi preciso tomar nada, nem fazer qualquer tipo de tratamento especial, simplesmente deixei. Como? Eu sabia que ia ser difícil ao fim de mais de 20 anos a fumar, eu pensei bem na tarefa difícil que ia ter pela frente, depois de várias tentativas falhadas. Tudo começou com uma consulta médica para preparação de uma intervenção cirúrgica de uma hérnia inguinal, como é normal teve que se fazer vários exames e analises, e o RX que fiz aos pulmões acusava algumas manchas derivadas pelo tabaco o que pode ser normal para quem fuma, mas o médico alertou-me para os riscos futuros, e porque cada caso é um caso, só os médicos saberão o que será melhor para cada paciente, então ele disse-me que, não me ia pedir para deixar de fumar, mas que seria melhor reduzir muito, e se deixar melhor, porque iria ter problemas graves mais tarde, ora perante tal receita, o que ficamos a pensar, eu pensei muito bem naquilo que ele me disse e cheguei à conclusão que não tinha muitas alternativas, ou deixava, ou sofria as consequências mais tarde, mas também pus em causa a veracidade do médico, pensei várias vezes se ele teria ou não razão, mas por vias das duvidas o melhor é não correr o risco, porque depois de o mal acontecer, já é tarde, e não se pode voltar atrás, e então tomei uma decisão: Vou deixar de fumar, disse para mim mesmo, e comecei a luta difícil e dura, posso dizer que é bastante difícil durante algum tempo ou muito tempo, depende de cada um, no meu caso foram mais ou menos 6 meses duros para aguentar a pressão, com algumas chicletes para enganar o vício e tentar acalmar os nervos, mas o pior era depois das refeições, que é nessas alturas que sabe melhor fumar o cigarrinho, ficava muito nervoso, andava de lado para lado, mastigava chicletes umas atrás das outras, e pensava muito, a luta era feroz com a minha mente, e pensava: Não, não vou fumar, eu vou conseguir deixar aquela porcaria, na altura que estava com mais vontade de fumar, ocupava a minha mente com pensamentos dos malefícios que provoca o tabaco, despesa desnecessária e dispendiosa, o desconforto que provocava a mim e aos outros que me rodeavam que não eram fumadores, e muita persistência, e descobri que resultava, desviar as atenções da mente para outro pensamento, ou distrair-me com qualquer coisa, resultava, a pouco e pouco, comecei a controlar os nervos e a ansiedade, a vontade de fumar passava, e nestas alturas em que a vontade de fumar é maior, é que devemos lutar com mais força e ultrapassar essa barreira dia após dia, eu consegui, foi quando eu comecei a pensar que estava a ganhar a batalha e que também ia conseguir ganhar a guerra, meus amigos, já lá vão mais de 5 anos, se vou morrer mais cedo ou mais tarde não sei, o que eu sei é que me sinto muito melhor assim, por isso se esta dica fizer mudar de ideias a outros, fico muito feliz por isso.

Eu fumava no mínimo 20 cigarros por dia, mas a média era de 30 a 40, pela minha experiencia o que posso dizer é que, é preciso muita força de vontade e saber dominar a mente, temos que lutar contra nós próprios, nós humanos somos muitos vulneráveis a vícios, e muita gente fica arruinada por isso e claro, ficam mais sujeitos a perder a vida mais cedo, normalmente só quando a desgraça bate à porta é que pedimos ajuda, mas infelizmente muitas vezes já não vamos a tempo, e a solução está em nós, é só querer-mos. Não é só com drogas que se combatem outras drogas ou vícios, nem é preciso gastar pequenas fortunas em tratamentos, a não ser em casos extremos, claro, mas quando estamos conscientes daquilo que queremos, e o que é melhor para nós, só temos que recorrer à nossa mente e confronta-la, conversem com ela e digam-lhe: Tu mandas em mim, mas eu também mando, ou seja ponham a vossa mente em confronto, e verão que ganha a parte que quer o melhor para si, ou seja ganha o lado bom, se não formos destrutivos, seremos sempre vencedores, o nosso cérebro é uma máquina muito complexa, e como todas as máquinas requer cuidados especiais e saber lidar com elas.

Como eu disse, está tudo nas nossas mãos, saber o que queremos, pensar positivo, fazer a escolha certa, força de vontade, saber dominarmos a nós próprios, tomar as decisões certas, ser persistente, confrontar as ideias, não nos deixar dominar pela nossa mente quando ela nos atraiçoa, e (muito importante) não nos deixar influenciar pelas más companhias, porque muitos dizem: Só morremos quando tivermos que morrer, e muitas outras barbaridades que deitam pela boca fora, mas o que é certo e que quando estamos com a corda ao pescoço, só queremos é livrarmos dela. Ou não?

Toda a gente sabe que há muitas pessoas que já morreram, outras estão com doenças incuráveis, a sofrer imenso e que talvez já não terão recuperação possível, por causa do tabaco e de muitos outros vícios, e depois de estarem nesta situação, são forçadas a largar os vícios, mas infelizmente já é tarde.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Naturalmente

Um exemplo da natureza, que é uma realidade na vida, tanto na vegetal como na animal. Nesta primeira imagem vemos uma árvore mãe que tem um filho que segue o caminho direito, e outro segue o caminho torto. É a vida, naturalmente.

Para ver a beleza da natureza, tenho um blog dedicado a este tema. Clique no site a seguir: