sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Miséria


Muitas vezes ouvimos pessoas a falarem de forma arrogante e insensível, contra as pessoas que recebem RSI, (Rendimento Social de Inserção) só porque têm conhecimento de casos de pessoas que recebem indevidamente esse subsidio, mas esquecem-se dos casos reais, em que há famílias, ou mesmo pessoas sós que não têm nem conseguem realmente de forma alguma um rendimento para sobreviverem, porque não podem trabalhar ou não conseguem realmente arranjar trabalho, até há quem diga que só não trabalha quem não quer, pois então eu digo que, só se for para trabalhar de graça, porque muitos passam o tempo todo a procurar trabalho e não conseguem de maneira nenhuma, cada caso é um caso, mas não podemos dizer que em Portugal existem 600000 malandros compulsivos, até porque muitos já perderam o direito ao subsidio de desemprego e nem por isso arranjaram logo trabalho a seguir, por isso nem todos são subsidio dependentes, e nem o numero de desempregados tem baixado, pelo contrário, tem subido e com tendência a subir mais, mas também é verdade que muitos encontram um possível trabalho, mas em condições desumanas, sem quaisquer direitos, sem descontos para a segurança social, sem seguro, horas de trabalho a mais sem qualquer rendimento extra e ordenados minúsculos, muito abaixo do ordenado mínimo mesmo sem descontos, e não se vê que alguém do governo esteja a fazer algo para que se altere esses abusos, e alguns desses patrões até na televisão já disseram que não conseguem encontrar empregados para as suas empresas, pois não, estes patrões nunca vão encontrar empregados, só se forem trabalhadores burros que se considerem escravos. Mas que eu saiba numa democracia não é permitida a escravidão, pois não?

Por isso quem é realmente pobre, se recebe o Rendimento Social de Inserção é porque não tem outro tipo de rendimento, e este subsidio é atribuído como de sobrevivência, e nunca a quem tem outros meios de rendimento, segundo as normas estipuladas por lei, e se isso acontece, o erro está nas autoridades ou as instituições que não funcionam bem, nem fazem as devidas averiguações necessárias para determinar quem tem ou não direito a receber este rendimento, que é da maior importância para quem vive em pobreza estrema, e que muitas vezes ficam privadas de qualquer rendimento, e muitas vezes por vergonha ou não terem conhecimento dos seus direitos e até por não saberem como fazer ou dirigir-se às entidades competentes para o efeito, acontece o que vemos diariamente pelas ruas e cada vez mais, pessoas a pedirem para terem diariamente uma pequena refeição, e muitos têm filhos o que os faz desesperar ainda mais, e já nem pedem para eles, mas sim imploram para conseguir alimento para os filhos.

A pobreza extrema cada vez é mais, e é pouco compreensível como os políticos deixaram chegar a este ponto e ainda estão a complicar mais a situação, pois estão a sacrificar o povo, como se fossem os culpados da crise económica que a Europa e o Mundo chegou, quando vemos elevadíssimos níveis de vida, que nem por isso tem baixado, pelo contrário, tem aumentado o nível de extrema riqueza, e o nível de extrema pobreza, e imaginar que eles dizem que estamos em democracia é no mínimo, irrisório, pois se a democracia é assim para os pobres, não me parece que faça muita diferença entre democracia e a ditadura, e para os ricos também não é o sistema que os prejudica, pois para eles qualquer sistema serve, porque para eles a vida corre sempre maravilhosamente bem. Continuamos a ver uns a poupar demais e outros a esbanjar demais, é revoltante ver os multimilionários com extravagâncias exageradas numa altura destas e não mostram vontade de ajudar ninguém, pois dizem eles, e até muita gente o diz por eles: só gastam o que é deles. Mas será que realmente é deles? Ou se apoderaram dele indevidamente? Ou os que ganham milhões será que o merecem mesmo? Porque é que não se governam com menos? E quem paga estes milhões, será que podem mesmo pagar, e será para sempre? Ou vão continuar a tirar aos pobres empregados que recebem pouco mais que o ordenado mínimo, para alimentarem estes colossais obesos que ingerem tanto dinheiro?

Vejamos o caso dos nossos governantes, autarcas, e até o todo-poderoso governo regional da intocável Ilha da Madeira, as obras megalómanas que fazem, sem que daí se tire o mínimo de proveito em prol de criação de riqueza, pois são autênticos monos que até podem ser muito bonitos e ser muito fotogénico para Inglês ou qualquer outro turista ver e tirar fotografias, e ficarem com a noção de que Portugal está a evoluir, mas eles não sabem que para se fazerem essas obras que não eram muito necessárias, o país endividou-se e que a miséria continua em alta. E não venham dizer que é para atrair turismo, pois os turistas estrangeiros, não procuram obras de arte moderna em Portugal, porque isso é o que eles mais têm lá na terra deles. Assim como as festas, que nesta altura se realizam, Natal e passagem de Ano, principalmente na Madeira onde este ano e como sempre, mas mais escandaloso este ano devido à escandalosa dívida que tem, mas nem por isso se conteve nos gastos com a megalómana Iluminação de Natal e vários eventos festivos até 6 de Janeiro, mais o colossal fogo-de-artifício na passagem de ano, mais uma vez para turista ver. Mas as grandes despesas de consumo, como parecer ser costume fazem-na a bordo dos cruzeiros em que viajam, pois claro. Enquanto isso tudo se passa, muita gente está a morrer de fome, algures no mundo, e outras a deambular pelas ruas da amargura, num mundo, em que mais de metade se diz ser democrático.    

Se estamos neste mundo para ver estas tristes realidades e tão desumanas, em que a maioria não tem uma alimentação minimamente suficiente, se não há a mínima garantia para as pessoas, de um nível de vida digno e humano, se temos que passar uma vida a lutar continuamente para sobreviver e nunca vemos resultados, para um futuro de esperança a curto prazo, e vamos continuar a ver os políticos a gozarem na nossa cara, fazendo de conta que somos trapos e eles é que são humanos. Então não estamos cá a fazer nada, porque entre viver na miséria e estar morto, a diferença não é muita, até pode ser melhor estar morto.     

domingo, 4 de dezembro de 2011

O Googol e o Google

     

Um dia, em 1938, o matemático norte-americano Edward Kasner perguntou ao sobrinho que nome haveria de dar a um número muito grande. O rapaz tinha apenas nove anos e ficou espantado quando o tio lhe mostrou o número. Era 1 seguido de 100 zeros. Para o jovem tratava-se de uma quantidade tão inconcebível que lhe chamou um nome inventado: GOOGOL – o que é o mesmo que dizer “OOHOHH”!

O nome pegou e ainda hoje é utilizado. O googol é pois 10 à potência 100, ou seja, 10 vezes 10 vezes 10 …com esta multiplicação repetida 100 vezes. Se usarmos o acento circunflexo para denotar a exponenciação, como muitas vezes se faz em texto corrido, o googol será 10^100. Escrito na base decimal será um comboio: 10000000000000000000000000000000000000000000000000
000000000000000000000000000000000000000000000000000.

Não é de espantar que o miúdo tenha exclamado GOOGOL!!!

Kasner inventou depois outro número ainda mais gigantesco: 10 levantado a um googol, portanto seguido de um googol de zeros … Poderia ter-lhe chamado GOOGO-GOOGOL, mas foi mais conciso e chamou-lhe googolplex.

O googol e o googolplex levantam problemas curiosos. O astrónomo Carl Sagan sublinhou no seu livro Cosmos que não existe matéria suficiente no universo para os escrever por extenso em notação decimal. O número total de partículas no Universo está estimado em cerca de 10^80, ou seja, 1 seguido de 80 zeros, menos do que um googol. E se todo o espaço fosse preenchido de forma compacta por neutrões, apenas haveria 10^128 partículas, muito menos do que um googolplex.

O especialista em computação Frank Pilhofer calculou o tempo necessário para gerar o googolplex num computador. Repare-se bem: não é o tempo de impressão em papel, nem sequer no ecrã, mas o tempo de escrita na memória. À velocidade actual de processamento, essa escrita levaria qualquer coisa como 10^80 anos, ou seja, tantos anos como o número de partículas existentes no universo!

É prodigioso ser capaz de conceber números que não se conseguem escrever por extenso. Há mais de 22 séculos, Arquimedes teve o mesmo fascínio e escreveu um pequeno livro em que explicava como se pode contar sem limites, havendo mesmo um número possível para o total dos grãos de areia existentes sobre a Terra.

O fascínio com os números grandes, nomeadamente com o googol, contagiou Larry Page e Sergey Brin, dois estudantes de Stanford que em 1996 criaram um motor de busca na Internet. Quando fundaram uma empresa para o comercializar, chamaram-lhe Google, inspirando-se no googol. Na realidade , em inglês as duas palavras podem pronunciar-se da mesma maneira.

O Google e outros motores de busca são prodígios da tecnologia e da inventividade dos engenheiros informáticos. Indexam milhares de milhões de páginas da Internet e procuram o que pretendemos a uma velocidade espantosa. Recolhem informação trabalhando 24 horas por dia, criam índices monstruosos, resolvem sistemas de equações gigantescos e têm arquivos de informação maiores que todas as páginas de todos os livros da maior biblioteca do mundo. São extremamente úteis para os utilizadores da Internet, que de outra maneira estariam perdidos num oceano disperso de informação.

As tarefas que os motores de busca realizam são tão gigantescas que faltam adjectivos para as qualificar. Poderia dizer-se que são tarefas ciclópicas, mas a palavra é capaz de ser um pouco antiquada. Talvez nos possamos lembrar do googol e dizer que são tarefas googólicas.

O nome é novo, mas pode ser que pegue. Sobretudo se for inventado por um miúdo de nove anos.

Nuno Crato
In “Expresso 15 Janeiro 2005/ÚNICA 63”