segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Uma ideia brilhante


O nosso primeiro-ministro pede ideias e soluções aos portugueses. Pois elas não devem faltar, mas será que ele as aceita? Não me parece! Então se ele diz que está a fazer o melhor para o país e para os portugueses! É porque se acha senhor de todas as virtudes! Mas mesmo assim não se perde nada em dar uma ajudinha ao nosso primeiro-ministro, e fazer com que ele entenda que as vozes de burro nem sempre chegam ao céu, mas é dos burros que às vezes saem coisas certas e com lógica, só que muitas vezes o cidadão comum que opina ou dá soluções, é muitas vezes apelidado de louco ou com tendências políticas extremistas de esquerda, principalmente quando alguém zela pelos interesses do povo. Eu não sou partidário nem tenho preferência por qualquer cor, para mim os partidos são como as religiões, todas falam muito bem, e todas prometem o paraíso, mas é só depois da morte, porque antes, temos que viver é no inferno, mas era melhor que fosse o contrário, e sendo assim e para começar a dar as minhas ideias para governar um país de calças na mão, porque o podre já é tanto, que pouco ou nada se aproveita, teria sido muito melhor não ter deixado a situação chegar a este ponto, pois agora arriscamos a que a cura seja pior que a doença, mas vale a pena arriscar.

Então vamos ver que soluções se podem dar para ajudar o nosso primeiro-ministro, aviso desde já que também são dolorosas, visto à situação em que o país está.

- Criar condições para que as empresas possam trabalhar de modo a não ter que sacrificar os trabalhadores e terem a margem de lucro necessária para criar um bom ambiente de relação patrão e trabalhador, e claro, para expandir, investindo na criação de novos sectores empresariais, o que desde logo abre portas a mais emprego. Isto era possível, com impostos e energia mais baixos, fazer auditorias regulares para que prevaleça a boa gerência, formação de bons profissionais passando pela integração efectiva na empresa para assegurar o bom desempenho e qualidade dos produtos, para competir sem receio com os melhores do estrangeiro e assim ter saída nas exportações. Um teto salarial digno e justo, mas nunca exagerado, para gerentes e pessoal técnico de elevada formação, trabalhadores igualmente tratados de forma digna e com o reconhecimento de que eles são a principal fonte de riqueza da empresa e do país, apostarem nos profissionais da ciência e inovação para a criação de novos produtos e criação de empresas de raiz com tecnologia totalmente nacional.

Nas empresas do estado, instituições sociais e governamentais, mais rigor nos gastos, mas não cortar no essencial, teto salarial modesto para os mais altos cargos, rigor orçamental e principalmente, uma fiscalização rigorosa nas contas e no desempenho dos gerentes, nunca permitir indícios de corrupção, e movimentar os cargos de forma a não criar um ciclo vicioso e muito menos abusar do poder, nunca é demais lembrar que quem trabalha para o povo, não é patrão nem dono do povo mas sim seus servidores, como tal devem respeitar o povo como seus superiores.

Na saúde, um controlo absoluto de quem gere e trabalha nestas instituições, que funcionam de uma maneira descontrolada que dá a ideia de ser uma selva onde reina a lei do salve-se quem poder, com irregularidades demasiado graves e gastos abusivos por falta de uma fiscalização rigorosa e séria de custos desnecessários, o que depois leva a cortar no que é essencial, e mais grave, fazer os utentes suportar os custos da rotura financeira, como se fossem estes os culpados disso, quando os grandes culpados são os próprios gerentes e os próprios profissionais de formação superior em medicina, que têm salários muitas vezes exagerados e acumulados muitas vezes de forma duvidosa, e as fraudes escandalosas que cada vez mais são noticia.

Na educação, uma das principais fontes de cultura de um país, não pode reinar a ideia de que as escolas são um covil de feras enraivecidas sem qualquer hipótese de domesticação, deve haver rigor na aprendizagem e fazer entender aos alunos que a escola é como um local sagrado, ali ensina-se e aprende-se, e são os professores que têm o poder e a obrigação de o fazer e bem, para que dali saiam pessoas educadas, vocacionadas para a vida profissional, para dar continuação a um futuro melhor e inovador, e não uma espécie de vilões com extintos marginais e revoltados, porque a escola não serviu para nada, e que a culpa é de todos e menos deles. Por isso, não é aqui que se deve cortar, pelo contrário, apoiar mas fazer com que o investimento seja bem merecido.

Na máquina governamental, a melhor ideia que se pode dar aos senhores que representam o povo de um país, é que cumpram com os seus deveres, mas de forma exemplar, porque é injusto que um governo peça sacrifícios ao povo quando este não é o melhor exemplo na contenção das despesas, pois está mais que visto que a mordomia dos políticos é visível e o enriquecimento é notável durante a actividade governativa e não só, todos os representantes do país e do povo exibem uma certa altivez como galos de crista encrespada, como se fossem deuses intocáveis e dominantes, tudo porque têm salários, regalias e isenções absurdas para funcionários públicos que são, e como tal marginalizam os outros, por isso se tivessem isso em conta e revissem esse desperdício financeiro, talvez o país estivesse melhor e mais rico, pelo menos democraticamente mais saudável. Aqui há muito por onde pegar para reduzir os gastos exorbitantes e desmedidos e muitas vezes sem controlo, porque lidar com as finanças e toda a economia de um país, pode dar a volta à cabeça a qualquer um, a corrupção, e os desvios são uma enorme tentação, porque o ser sério não enriquece ninguém e meter a mão onde há muito, nem se nota muito e quando se descobre o buraco, já passou tanto tempo que será difícil descobrir o misterioso desvio. E depois há aquela ideia de que se estamos a servir o povo, e isto dá muito trabalho, temos que ter um tratamento especial, e além dos salários elevados, ainda somam ajudas de custos e de todas as regalias possíveis e impossíveis, mas para abrir mão de tudo isto, ou parte, é um problema maior que a própria crise.

Como vê Sr. Primeiro-Ministro, soluções vão aparecendo, mas não são fáceis de pôr em prática, porque normalmente são absurdas para vós que estais no poder, porque não dá jeito nenhum quando se fala em redução de custos a quem ganha muito e tem todos os benefícios e regalias, mas é melhor magoar os outros que a nós próprios não é, pois é, mas isso tem um nome, egoísmo, mas a vida é tão curta! Será que vale a pena ser tão cruel?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O estado da Nação


É como se costuma dizer: Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Mas o mais dramático é quando já nem há migalhas para encher o papo. Pois é, a situação dos portugueses vai de mal a pior, como se não bastasse tantas restrições, agora aprovaram novas leis do trabalho que só pode piorar o que já estava mau, estão a mexer em direitos adquiridos dos trabalhadores, que tanto lutaram para os conquistar, e agora vêem tudo a ir por água abaixo, uma barbaridade de normas e imposições ridículas, tudo porque, dizem eles, são ordens de uns senhores estranhos, que agora mandam no nosso país, e os nossos governantes, convenceram um sindicato que pensa que representa todos os trabalhadores, a assinar a sentença de morte da classe operária, um acordo com ameaças de que tudo seria pior se não fosse assinado, pois sim, para pior só poderia ser, trabalhar 12 horas por dia, 7 dias por semana, sem férias, sem feriados, sem 13º mês, e já agora, a pão e água, tudo em prol da competitividade, e, dizem eles, criar emprego. Mas como é isto possível, se tudo indica o contrário? Pois se abrem portas ao emprego, muitas mais portas estão abertas ao desemprego, com tanta facilidade que deram aos empregadores para despedir, as empresas vão parecer mais com uma espécie de casas de tias, onde é um entra e sai infernal de pessoas. Competitividade? Como? Com tanta precariedade, não é possível haver profissionais com competência para exercer qualquer profissão, se não lhes é dado tempo e condições para isso, sabendo que está num trabalho temporariamente, nunca se vai esforçar para ser rentável e dedicado, nem tem estabilidade psicológica para isso, até diria mais, é puro massacre psicológico e emocional, não é por acaso que tem aumentado os casos de depressões, em trabalhadores de todos os sectores laborais.

Com estas medidas, estão criadas as condições para o drama social para o qual caminhamos a passos largos, despedimentos fáceis, cortes drásticos nas indemnizações, cortes dramáticos no subsídio de desemprego e no tempo a que se tem direito a ele, e como foi noticiado na comunicação social, quase metade dos desempregados já perderam o direito a receber este subsídio, o que está a causar muitas situações dramáticas, principalmente nos jovens, que, lá está, por causa da maldita precariedade, não tiveram os devidos descontos o tempo suficiente para terem direito a receber o RSI, e assim se vêem obrigados a viver com a ajuda dos país ou outros familiares. Que belo futuro para os jovens que querem constituir família, pois muitos ficam em casa dos pais até aos 30 e até aos 40 anos, e muitos ficam mesmo à espera do futuro de bengala na mão. Ridículo? Não! É a realidade!

Por falar em ridículo e também não menos dramático, é haver pessoas com um rendimento superior a 10000 euros, e que com pensões de reforma de 1300 euros mensais não chegam para as despesas, pois não, nunca chega, se uma pessoa estiver habituada a comer lagosta, vai ser difícil habituar-se a comer sardinha, vejam a noção que os senhores do poder têm do custo de vida, para eles alguns milhares de euros por mês é pouco. E as pessoas que ganham 500 euros, como vivem? Não vivem, sobrevivem, fazem uma ginástica desgraçada dia a dia, pagando as despesas mensais de renda da casa, luz, água, gás, pouco sobra para a alimentação, e esta tem que ser bem racionada para ver se chega até ao fim do mês, mas depende do valor da renda e se é uma família com filhos, ou pessoa só, há histórias de todos os tipos, do mais moderado ao mais dramático, os casos dramáticos, quase sempre são casos tão desumanos, que se houvesse uma justiça verdadeira, e zelasse pelos direitos do homem, todos os políticos governantes e representantes do povo, teriam que ser responsabilizados pela falta de cumprimento dos seus deveres como tal, e punidos pela irresponsabilidade, de má gerência, e actos de corrupção, ou conivência com corruptos, que é uma das maiores causas das crises económicas, e que arrasta os países para o caos social.

Este é o verdadeiro estado da Nação, e não o que dizem os nossos governantes, que insistem em atirar areia para os olhos do povo, tentando acalmar os ânimos com demagogias, de que tudo vai melhorar brevemente. O pior é quando se chegar à conclusão de que depois de tantos sacrifícios, afinal o país está na falência, e a braços com uma tragédia social sem precedentes. Se continuar o desemprego, (que agora até vai ser muito mais fácil despedir) e a continuar o aumento do custo de vida como está a ser, redução de salários e benefícios, o governo vai chegar a um ponto que já não vai ter mais onde tirar e as receitas a diminuir, então nessa altura será o momento da verdade.