sábado, 10 de março de 2012

O Ser Humanóide


Ser ou não ser eis a questão, a famosa frase e os versos de William Shakespeare, são bem actuais nos tempos de hoje, pois estamos num tempo em que mais vale sê-lo que parece-lo, basta olhar à nossa volta e ver quem nos rodeia, e principalmente quem nos governa, para ficarmos com a ideia que parece não vivermos com pessoas da nossa espécie, mais parecem seres extraterrestres que chegaram de um planeta muito distante, e com todas as más intenções de se verem livres de nós para ficarem à vontade, com instintos macabros, como se fossem humanóides comandados por uma complexa memória diabólica, programada para obedecer ao seu criador, e se a ordem é para matar, o diabólico boneco electrónico diz: Sim meu amo, já está esfolado.

Às vezes pergunto se vale a pena ser humano, ou se não seria melhor estar do lado da máquina, é que a máquina é uma coisa estúpida, fria, sem sentimentos, e quando avaria é fácil repara-la ou abate-la que não causará dor a ninguém, mas nos tempos de hoje temos assistido ao mesmo procedimento perante os humanos, é que tratados como animais sempre fomos, mas agora também já estamos a ser tratados como máquinas, pois muitos humanos alem de não serem alimentados, nem tratados das doenças que padecem por falta de posses financeiras e apoio estatal ou familiar, são também abandonados, como se tratasse de máquinas velhas sem interesse, sem valor.

Alguém se mostrou muito preocupado, ou tentou rever a situação dramática e miserável do elevado número anormal de mortes causadas pela miséria extrema que algumas pessoas estão a passar? Morreram milhares de pessoas nos primeiros dois meses deste ano 2012, mortes causadas por falta de assistência médica, e os medicamentos que em muitos casos eram essenciais para atenuar a doença, mas que por dificuldades financeiras, não puderam adquirir, e claro, acabam por falecer, a falta de medicamentos, má alimentação ou sem ela, e o frio, são as principais razões destas mortes, principalmente em idosos, porque as casas são autênticas câmaras frigoríficas no inverno e excelentes fornos no verão, e como a energia ao preço que está, ter aquecimento ou refrigeração, é coisa só para ricos! Só de imaginar que isto só acontecia em alguns países de África, e agora já acontece em países da Europa, dá que pensar, a que ponto chegou a grande União Europeia, onde correm rios de dinheiro, mas que ninguém sabe onde ele pára, ou melhor, sabemos que ele pára em algum sítio, é no sítio do costume, onde já há muito, é exactamente o mesmo que acontece com a água dos rios, corre toda para onde já há muita, o Oceano.

Mas no nosso caso, e ao que me referia, sobre as mortes muito acima da média em tão pouco tempo, é alarmante e sendo pelos motivos que foram noticiados pela comunicação social, e até foi tema de debate na assembleia da Republica, é no mínimo chocante e vergonhoso para um país que se diz ser civilizado, e ainda é mais vergonhoso quando se ouve os nossos governantes dizer que estamos no bom caminho para resolver a situação financeira, ajoelhando-se aos pés da troika, só para fazer bonito perante a União Europeia, e continuam a dizer que tudo farão para honrar os compromissos que assumiram com a troika, mas viraram as costas ao povo, sem se preocuparem em ver as situações mais dramáticas das pessoas.

É revoltante o que temos assistido nos últimos tempos neste país, o estado degradante a que chegou a saúde, a justiça, a educação, e claro, o trabalho, o principal motor da economia, que está quase parado de tão podre que está, e que parece não ter reparação possível, pois os nossos governantes continuam a querer fazer omeletas sem ovos, vão tirando a quem não tem até não poderem mais, porque a quem tem muito, é proibido. E a economia lá vai afundando, como aquele navio em que o comandante deu mais ouvidos aos interesses pessoais que à segurança dos passageiros, o que causou algumas mortes, e lá ficou o barquinho tombado, meio afundado, meio de fora, apoiado num banco de rocha, à espera que uma tempestade o atire para o abismo

Só nos resta esperar para ver qual é o bom caminho que o nosso primeiro-ministro nos promete. Será o do céu, ou do inferno? Eu como não acredito em milagres, cá vou carregando nas mesmas teclas, lamentando ter que continuar a ser um Português suave mas triste, com os meus temas de opinião, duros e tristes.