domingo, 19 de agosto de 2012

O perfil típico do português


Não é geral, mas que há qualquer coisa de anormal no povo português, lá isso há, apontar defeitos nem sempre é uma atitude má, de repudio, ou intolerância, é apenas um alerta, e pode ser um incentivo à mudança, nunca é tarde para mudar, mesmo para aqueles que teimam em não querer fazer um pequeno esforço para isso. Mas a realidade deve ser dita, e todos sabemos que os portugueses nunca deram grandes passos para sair da mesquinhice, um atraso significativo, em todos os aspetos, na cultura, no desenvolvimento económico, social, abertura à tolerância, na educação, e no conhecimento, num contexto de redescoberta do mundo, e não olharmos para nós como senhores do nosso nariz, que nós é que estamos certos e os outros errados.

Se em tempos já tivemos uma cultura que nos podíamos orgulhar, apesar de haver mais ignorância por parte do povo em geral, talvez tenha sido bem aproveitada a educação, pois era mais disciplinada, mas dava frutos a quem se dedicava, daí surgiram os verdadeiros doutores de renome, e por isso ficaram na história como os verdadeiros impulsionadores do conhecimento e da aprendizagem do mundo da cultura e desenvolvimento do país.

Mas tudo tem mudado, e infelizmente para pior, talvez as liberdades desmedidas sejam o mal de todos os valores da sociedade, não me refiro à liberdade no contexto político, mas sim de valores que se perdem, por decadência social, de querermos tudo muito rápido e não olhando a meios para atingir os fins, é a pura ganância de todos quererem ser alguém mesmo sem ter as devidas capacidades de o ser. Falo do desleixo da educação, a falta de civismo e cidadania, por isso é o que se vê, a arrogância, a inveja, a soberba, a parceria desonesta, a corrupção em todos os setores, tanto a nível empresarial público ou privado, e no próprio Estado, a vingança, o subir na vida a todo o custo, e a falta de camaradagem no mundo laboral, são fatores de mau estar e desunião, o que provoca a queda lenta e desgastante das empresas, e o desalento dos profissionais, que são os principais motores para desenvolver a economia, porque não se valoriza quem se deve, mas sim quem se quer.

Um país não se constrói, só pelo seu grandioso passado, mas sim olhando para o futuro, e Portugal e os portugueses, nisso têm tido uma atitude muito incorreta, ficamos agarrados a tradições e ao passado, como se o futuro viesse por acréscimo, mas o que está a acontecer, é que estamos a viver uma crise como já não acontecia há muito tempo, (embora nunca tenhamos sido grande exemplo de estabilidade económica) apesar de esta crise ser a nível de toda a Europa e resto do mundo, Portugal sempre foi um país atrasado, digno do chamado terceiro mundo, e o descalabro social, é uma realidade que ninguém quer admitir, preferimos andar no mundo de olhos vendados, a ver as realidades, quando devíamos tentar inverter as mentalidades, é um dos nossos defeitos de muitos outros que todos conhecemos, e muitos deles chegam a ser de uma estupidez atroz, basta ver a importância que damos a coisas supérfluas, e as coisas de grande valor que desprezamos.

O português diz-se e é reconhecido por ser trabalhador, é verdade, mas também sempre se gabou de ser polivalente, muitos gabam-se de que sabem fazer tudo, são os chamados homens de sete ofícios. Mas será assim tão simples? São pessoas habilidosas que pensam que sabem fazer tudo, e arriscam a fazer trabalhos para o qual não estão habilitados, e que no final esses trabalhos não ficam em condições, o que pode causar acidentes no próprio trabalhador, ou posteriormente ao proprietário da obra em causa, e este também não vai ficar contente por pagar a quem o enganou, isto é verdade, nós ouvimos falar de muitos casos destes, e ouvimos muitas vezes dos nossos amigos ou conhecidos, conversas deste tipo de gabarolices: Eu sei fazer tudo, eu já trabalhei nisto e naquilo, são todos especialistas de tudo. Será?

Alguns portugueses chegam facilmente a doutores e ficam rapidamente famosos, são inteligentes em maroscas para ultrapassar os que passam a vida a carregar os livros e mesmo assim alguns ainda ficam pelo caminho. Temos altos cargos nas mãos de pessoas que não percebem nada do que andam a fazer, e ainda são arrogantes e exigem que sejam tratados com a dignidade que tal estatuto lhes proporciona, pois o nome de doutor é mais importante que o desempenho das funções para que foi nomeado. Mais um defeito horrendo de alguns portugueses, o nome e a grandeza social é importante e sentem muita vaidade nisso, por isso agora temos um país de doutores, com muita riqueza desonesta.

Um país santo, os portugueses são muito religiosos, cada vez menos praticantes, mas muito crentes em santos, nem que seja apenas para festejar as datas comemorativas destes, e claro, nas festas não é a parte religiosa que a maioria dá mais importância, mas sim ao divertimento, e ao repasto bem regado com muita bebida alcoólica, não se sabe se é em memoria do santo ou se é para esquecer.

Na família, ainda há um grande número de casos em que o homem é dominante, embora já haja uma tendência para que seja de igual para igual, mas também o domínio da outra parte tem vindo a aumentar, sim, porque a mulher tem assumido muito bem o posto de dominante, pois muitas agarraram a oportunidade de ultrapassar os homens e assumiram o poder, o que não haveria mal nenhum se não houvesse casos de abusos desse poder, e como tal, assim como há homens que não sabem governar a casa, também há mulheres que não o sabem fazer, e é sabido que muitas famílias se endividaram e até ficaram arruinadas, muitas vezes por causa delas, não digo que sejam todas, porque há mulheres muito competentes para governar a casa, e no passado a mulher era a melhor gerente financeira da casa, mas hoje sabemos que isso é raro, principalmente nas cidades. Mas o homem continua com atitudes machistas nas questões de relacionamento conjugal, a desconfiança, intolerância e falta de diálogo civilizado, tem levado a casos extremos de violência doméstica, que é outro grande problema dos portugueses, e não só.

No divertimento, o desporto rei domina como se não houvesse outro desporto, e os resultados estão à vista, as outras modalidades estão de rastos por falta de apoio e falta de adeptos, e claro menos rentáveis, assim o futebol é rei e senhor com os fervorosos adeptos a correrem semanalmente aos estádios para apoiarem os seus clubes favoritos, a habitual procissão de peregrinos a caminho da catedral para mais uma missa, onde milhares de adeptos aclamam, como se de uma reza se tratasse pedindo ao redentor que lhes compense com mais uns pontinhos para a conta da classificação. Mesmo assim o futebol em Portugal também não é de grande dimensão, pois está resumido aos chamados três grandes clubes, e que na maioria das vezes a meio da época já se sabe quem vai ser campeão nacional, clubes onde se movimentam milhões, mas que não se sabe bem o que se passa com as contas, visto que se ouve falar em dívidas, prejuízos, e lucros, com as receitas, ou com a compra e venda de jogadores, mas nem por isso se fala em crise nestas entidades que se dizem empresas, mas que os negócios são sempre pouco claros, e parecem ser intocáveis, mas que o povo alimenta e não contesta, enfim, é o que temos, e quem nasce anão nunca vai ser grande.

Na política, os portugueses não dão muita importância, sentem-se enganados, mas não fazem nada para mudar, vivem revoltados em silêncio, dizem que não vale a pena se chatearem com os políticos, resignam-se a toda a pressão dos políticos sem resistência, o que favorece a governação, mas aumenta a repressão, pondo em perigo a liberdade conquistada, e agora, até a própria soberania e autonomia estão em causa, por estarmos submetidos a ordens exteriores. É preocupante o desinteresse que os portugueses demonstram na luta pelos seus direitos, e garantir que os direitos adquiridos nunca deviam ser alterados ou retirados, que o trabalho é um direito essencial para a sobrevivência das pessoas, é dramático ver que a afluência às manifestações tem sido cada vez menor ou nula, tanto as convocadas por sindicatos, como por outras organizações, e até mesmo nas datas comemorativas do 25 de abril e 1º de maio, estive em todas as manifestações, e vi um cenário desolador, desmotivante para quem luta, porque sentem-se sozinhos, mesmo as manifestações convocadas pelas redes sociais, (que embora não seja a melhor forma de organizar manifestações) é lamentável ver até que ponto vai a falsidade das pessoas, pois vemos tantos lamentos nas redes sociais, e muita gente dizia que ia às manifestações, e depois não aparecia ninguém, exemplo disso foi a manifestação convocada no facebook, intitulada: Pelo direito ao trabalho. Organizada pelos desempregados no dia 30 de junho de 2012, e o resultado foi este: Ver o vídeo.     

A teoria dos três efes, FFF (Fado, Fátima e Futebol) que era atribuído aos portugueses nas suas preferências e que veneram, ainda faz sentido, mas agora também já faz parte da lista de preferências, a televisão e os programas comerciais, como novelas e reality shows. Um país não se distingue pelas pessoas, mas sim pelas mentalidades.

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