domingo, 30 de junho de 2013

A Primavera do Brasil



Uma gota d'água de 20 centavos foi suficiente para que o descontentamento popular extravasasse todas as barreiras no Brasil e expusesse os pés de barro do seu tão falado desenvolvimento. Neste dossier coordenado por Luis Leiria, o Esquerda.net reúne informações que permitam ao leitor compreender melhor o contexto dos atuais acontecimentos, para além de dar acesso à cobertura que o portal vem fazendo desde o início.



sábado, 29 de junho de 2013

Democracia mórbida


Agora se percebe porque Portugal esteve tanto tempo sob o regime fascista! Os portugueses desta nova era nunca fizeram muito para se libertarem dos carrascos pestilentos, e o resultado está à vista, continuamos pequenos, acanhados, paralisados, tímidos, amedrontados, e sempre conformados com tudo e todas as humilhações feitas por qualquer idiota que nos apareça, e que nos convence de que é nosso líder sem saber realmente o que isso é, apenas sabe que é um poder que obtém através do povo e que depois o usa para o espezinhar como trapos velhos sem serventia, nem para limpar o pó. Nem mais, isto é o que se vê atualmente, e olhando para a nossa história a coisa piorou e muito, já lá vai o tempo dos heróis e o nobre povo valente, que já não é mais imortal, deve ter quebrado o feitiço e voltamos a ser mortais e sem forças para derrotar uma mosca que seja.

Até a revolução de abril de 1974 só foi possível por iniciativa militar, (embora tenham dado os louros ao povo) caso contrário ainda estaríamos hoje naquela ditadura fascista, que afinal ainda permanece nos dias de hoje, em que os protagonistas se mascararam de democratas, e é o que se vê, e é claro que as diferenças são poucas, apenas a mascara dá um ar mais simpático ao monstro, porque se a democracia é uma coisa tão boa e as pessoas comuns não sentem o efeito, continuam clausuradas na miséria e privadas dos direitos essenciais para viverem dignamente, então não se percebe o porquê de tanta publicidade à volta da disfarçada democracia.

Mas em Portugal os senhores do poder têm sorte, a oposição não é feroz, o povo é sereno, contenta-se com pouco, é sofredor e conformista, hipócrita e até gosta de lisonjear as classes importantes, mesmo os que mais rastejam por necessidade, na altura das eleições, muitos não perdem a oportunidade de acenar a bandeirinha da miséria e aplaudir seu amo e carrasco. As manifestações são raras pouco participativas, e muitas vezes com ambiente festivo, o que acaba por ser desvalorizado pelos governantes e motivo de grandes gargalhadas e paródia nacional, e quando há uma pequena confusão, é logo motivo para mobilizar um grande dispositivo de segurança muito desproporcional ao tumulto em causa, e é mesmo brutal, digno da repressão de outros tempos. Greves gerais de longe, a longe, também pouco participativas na generalidade dos trabalhadores em todos os setores, só alguns aderem massivamente, o que faz com que o governo também desvalorize e até diga que as pessoas têm direito a fazerem greve, mas que não são as greves e as manifestações que o preocupa, mas o primeiro-ministro também vai dizendo que o país precisa de trabalho e não de greves, ora aqui era caso para lhe perguntar: Então porque não criam postos de trabalho para os que estão desempregados? E porque o próprio governo despede tantos trabalhadores? Mandam trabalhar os que ainda estão a trabalhar, para quê? Para os roubar mais nos míseros ordenados que ganham? Que trabalhem eles.

Que desilusão! Tanto lutaram os povos pela democracia! Era a libertação de ideias, da escravidão, das mentalidades, da cultura, da educação, saúde e bem-estar para todos, e eis que de um momento para o outro tudo parece estar a retroceder e a voltarmos aos tempos dos fantasmas, que não param de nos atormentar, penso que nos iludimos com a democracia que conquistamos. Quando libertamos os passarinhos, não quer dizer que fiquem livres para sempre, podem voltar a entrar numa gaiola qualquer, é tudo uma questão de sorte ou azar. Nunca seremos totalmente livres, enquanto não libertarmos a nossa consciência, e em Portugal além do défice económico, há um grande défice cultural, de maturidade democrática, de unidade e luta solidaria pelos direitos, é triste ver trabalhadores contra trabalhadores, a forma gananciosa e comodista que se vê de muita gente, com lamentos em dia de greve, por não terem transporte e outros serviços, chegando mesmo a criticar e insultar os que fazem greve, são estas pessoas que apodrecem a democracia, devem sentir a falta das ditaduras e do chicote. Quando as classes se dividem, a solidariedade e o civismo degradam-se, os políticos adoram e tratam de tomar medidas à medida da decadência, por isso, em Portugal talvez ainda falte um pouco mais de sofrimento para algumas pessoas, para abrir certas cabeças de vez, (ou talvez nunca se abram) somos mimados, tivemos algumas guerras nas ex-colónias, longe da Metrópole, onde se martirizaram inocentes numa luta sem nexo, talvez fosse melhor que a guerra tivesse sido na Pátria mãe, para que as pessoas dessem o verdadeiro valor à luta pela democracia e pela verdadeira liberdade. Nós escolhemos o que queremos, nós criamos a sociedade que temos, e cada um tem o que merece. Penso que Portugal, ainda vai sofrer muito, até ter a tranquilidade financeira que muitos ilusionistas já apregoam, mas que é falso, estamos muito longe de alcançar a nossa independência financeira, e soberania nacional, pois não é só de agora que dependemos dos outros, e isso vai continuar por muito tempo, ou eternamente, se não fizermos uma verdadeira revolução, não de cravos, mas de limpeza radical, nem que tenha que se fazer tudo de novo, isto se as futuras gerações tiverem tempo, pois até o tempo está contra nós e toda a humanidade.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Como eles brincam em serviço!


Banqueiro irlandês apanhado a gozar com os contribuintes que o resgataram | Esquerda

As escutas divulgadas pelo jornal irlandês Independent mostram como o banco Anglo Irish enganou o Estado ao começar por pedir um resgate inferior ao necessário e ainda gozavam entre si à medida que entravam mil milhões de euros por dia para salvar o banco falido.



segunda-feira, 24 de junho de 2013

A indignação e a repressão


Temos assistido a muitas manifestações por todo o mundo, e a única conclusão que se tira do que vemos, é uma repressão selvagem e digna dos mais nojentos atos sanguinários dos piores ditadores da história deste mundo, pois a policia é como os robôs, coitados, fazem o que lhes mandam, e como também adoram violência, não perdem a oportunidade de espancar tudo e todos sem olhar a meios e o porquê, ora o que me ocorre dizer é o seguinte: Não seria melhor a parte indefesa e inocente dar o troco, e armar-se também, para que a luta fosse justa e de igual para igual? É um ato cobarde da parte das forças de segurança usarem uma força brutal contra o povo, que se manifesta em protesto pelas injustiças e dramas sociais impostos pelos governantes com instintos selvagens, que tanto martirizam o povo e não têm o mínimo de sensibilidade para com as dificuldades das pessoas, e continuam com o massacre dos mais desfavorecidos. Os argumentos estúpidos que declaram, é que estão a zelar pela segurança das pessoas e bens materiais, quando os atos de violência são muitas vezes provocados por eles mesmo, ao reprimir a indignação das pessoas. É claro que os mais exaltados, e oportunistas, destabilizam e provocam, mas numa manifestação de muitos milhares de pessoas, não são todas extremistas, a maioria apenas quer manifestar-se, protestar e exigir os seus direitos, mas se há um grupo de uma ou duas dezenas de agitadores mais problemáticos, não se percebe porque se vê a polícia a espancar também os que apenas querem manifestar-se pacificamente, e até repórteres que estão a trabalhar, assim como o uso de gás lacrimogénio, só prova que é para reprimir toda a multidão e não só os agitadores. Porque quando há centenas de feridos e detidos, com certeza não fazem todos parte da tal dezena de agitadores, mas também é muito provável, (e já denunciado) o uso de infiltrados, policias não fardados no meio da multidão, para perseguir ou incitar à violência, para terem motivos para agir em legitima defesa, e claro fazerem-se de vitimas, mas o mais dramático é quando a ordem vem do próprio governo, com ameaças de tolerância zero, e que não têm medo das contestações de rua, mas a ordem é para usar a máxima força, que bela democracia que eles aplicam, amordaçar o povo e reprimir, para que eles possam gozar da plena democracia que eles conquistaram, para poderem fazer o que bem lhes apetece, com leis de favorecimento aos amigos em prol do bem-estar deles e o brutal enriquecimento de toda a ELITE.

Hoje vemos com tristeza, que as grandes revoluções que os povos de muitos países fizeram, foram-se desmoronando e o retorno dos velhos monstros que renascem de novo, apesar de serem novas gerações. É um ciclo vicioso, é coisa de humano mesmo, os séculos vão passando mas pouco muda politicamente, a ganância pelo dinheiro e o abuso de poder é mais forte que qualquer valor humano. Mas o mais triste, é que, é o povo que lhes dá o poder e os valoriza, como deuses, pois a mim faz-me confusão ver multidões eufóricas a aplaudir e venerando esses deuses, que depois irão trair toda essa multidão e o povo em geral, que lhes deu um voto de confiança, e mais tarde serão esses deuses que se transformarão em demónios que vão descarregar toda a ira nesse povo. Coitados de nós, que nunca aprendemos a lição, eu não me revejo nesta simples leveza do ser humano, é revoltante. Pois se o mundo é de todos nós, porque temos que escolher os nossos piores inimigos para mandar em nós? Porque será que os bons, não escolhem a vida política? Será que realmente há alguém bom no meio de nós? Será a política uma fonte de maldade que amaldiçoa tudo e todos os que vão lá parar? Será este mundo o verdadeiro inferno, e os políticos os lucifer que nos atormentam com as suas promessas diabólicas de pura ilusão? Só pode ser! Então deve ser por isso que a chama deste inferno se mantem acesa desde que existe a humanidade.

Tanta história e tão pouca evolução cívica, nós evoluímos só no caminho das trevas, agarrados aos valores materiais, escravos do dinheiro e do poder, a nossa inteligência traiu-nos, e agora somos vítimas da nossa ignorância.      

sexta-feira, 21 de junho de 2013

JÔ Explica.



Pra quem não entendeu ainda: os vinte centavos, um por um:

0,01 - A corrupção
0,02 - A impunidade
0,03 - A violência urbana
0,04 - A ameaça da volta da inflação
0,05 - A quantidade de impostos que pagamos sem ter nada em troca
0,06 - O baixo salário dos professores e médicos do estado
0,07 - O alto salário dos políticos
0,08 - A falta de uma oposição ao governo
0,09 - A falta de vergonha na cara dos governantes
0,10 - As nossas escolas e a falta de educação
0,11 - Os nossos hospitais e a falta de um sistema de saúde digno
0,12 - As nossas estradas e a ineficiência do transporte público
0,13 - A prática da troca de votos por cargos públicos nos centros de poder que causa distorções
0,14 - A troca de votos da população menos esclarecida por pequenas melhorias públicas (pagas com dinheiro público) que coloca sempre os mesmos nomes no poder
0,15 - Políticos condenados pela justiça ainda na ativa
0,16 - Os corruptos terem sido julgados, condenados e ainda estarem em liberdade
0,17 - Partidos que parecem quadrilhas
0,18 - O preço dos estádios para a copa do mundo, o superfacturamento e a má qualidade das obras públicas
0,19 - A comunicação social tendenciosa e vendida
0,20 - A perceção que não somos representados pelos nossos governantes

Se precisarem tenho outros vinte centavos aqui, é só pedir.


- Que coincidência, Portugal também tem estes 20 cêntimos de problemas, ou mais! Só há uma diferença, é que os portugueses ainda não acordaram, e enquanto dormimos eles vão comendo-nos a carne e roendo os ossos, e deixamos, fantástico, somos heróis mortos!...



quarta-feira, 5 de junho de 2013

Submissão


Alguns dos nossos políticos incluindo alguns governantes, vão estar na reunião anual dos Bilderberg. É triste continuarmos a lamber as botas aos ilustres donos do mundo, que já têm a nossa cabeça na bandeja, pronta a ser servida como repasto aos leões esfomeados e enraivecidos. Que mais podem querer estes gigantones, com tão humildes pedintes ainda combalidos de tamanho conto do vigário que nos iludiu a todos. Provavelmente os nossos políticos não sabem muito bem as intenções destes senhores, ou se sabem, é ainda pior e trágico que se rastejem e deixem que eles lhes ponham o pé em cima do pescoço, e apenas lhes ditem a regra: Ou vocês cumprem as ordens e pagam o que devem aos nossos amigos FMI, ou estão tramados. Só pode ser, ou pensam os nossos políticos que vão para lá fazer exigências? Coitados de nós, portugas! Estes já estão no papo, dizem eles. 

No entanto, a estratégia dos Bilderberg continua, e como está visto, está a resultar, os objetivos estão a ser alcançados, as economias dos países continuam e continuarão no charco até ao colapso final, povos cada vez mais reprimidos, Estado social e democracia a esfumar-se, e o império global no bom caminho, enfim… Cordeirinhos, o matadouro é já ali.

Nós por cá andamos desconfiados do governo, dos políticos, dos bancos e a comunicação social! E não é para menos, pois se todos nos estão a assaltar e a tratar mal, não podemos confiar mesmo nada nesta gente, pois não? Então, se todos fazem parte do Clube Bilderberg, apenas cumprem ordens, coitados.

E nós por cá andamos todos a gritar por demissão do governo! Mas também ainda não percebi bem para quê! Será que ainda ninguém pensou que não há alternativa? Desenganem-se aqueles que pensam que mudar pessoas ou partidos, se vai resolver alguma coisa! Tudo irá continuar como tem sido até agora e a tendência é para piorar, porque como está visto, além de não confiarmos nos nossos políticos, também já não são só eles que mandam, o que quer dizer, que estamos num beco sem saída e cada vez mais encurralados, e o pior é que não é só por cá, pois é assim que os senhores Bilderberg querem, e nós deixamos, mas pelos vistos, também não temos voto na matéria, nós cordeirinhos, submetemo-nos a ser encaminhados para o corredor da morte, para alimentar os abutres. Mas nos tempos que correm, e por muito cruel que possa parecer, pode muito bem ser melhor estar morto, que viver num mundo tão estupido, onde o poder e o dinheiro estão acima de tudo.