segunda-feira, 16 de junho de 2014

Manifestações à portuguesa




Depois de tantas manifestações em Portugal, já se pode analisar como tem sido a forma do povo português se manifestar em protesto pelas políticas erradas dos sucessivos governos, que continuam a ser os mesmos de sempre, e como são sempre as mesmas pessoas a lutar pelos seus direitos e pelos dos outros, por incrível que pareça, a maior parte dos que estão em pior situação económica e social, são os que não aparecem nos protestos, mas os que aparecem ainda são criticados, é o que se ouve, como eu ouvi nas redondezas onde se realizam as manifestações, ouve-se muitos dos que não vão, e não são de nível social alto, a acusarem o sindicato que realizou a manifestação e as pessoas que participam, como se fossem os únicos bandidos no país, ouve-se coisas que magoam muito e que nos faz pensar que afinal existe no país uma grande parte do povo com ideias fascista repressivas, e não acredito nos que se dizem antifascistas, pois de anti não têm nada, mesmo com as novas gerações as mudanças não são notórias, as tradições de um país retrógrado continuam atualmente, o ódio pelos esquerdistas está sempre presente, sendo acusados de serem os piores inimigos da sociedade, enquanto se venera os santos ditadores nazis e salazaristas. Eu não apoio ditaduras sejam elas fascistas, comunistas, socialistas ou militares, também não apoio partidos políticos, eu só apoio um Estado de direito, com justiça realmente séria e limpa, não interessa que nome tenham os bois ou as carroças.

Também são sempre os mesmos a fazer manifestações em Portugal, caso contrário nunca haveria manifestações neste país, viveríamos num país amordaçado, não pelo sistema mas sim pelo próprio povo, conformado, calado e critico daqueles que não aceitam ser escravos do sistema, e quando houve protestos feitos por organizações populares, sem qualquer cor partidária ou sindical, quase que iam todos presos, pois conseguiram a proeza de realizarem as maiores manifestações populares de sempre em Portugal, os organizadores foram acusados pelas autoridades por serem agitadores, arruaceiros e de tudo mais.

Não se percebe como as pessoas se acomodam e acobardam tanto sabendo que a miséria está a aumentar, tudo está mal e ainda criticam quem luta ou faz alguma coisa para tentar mudar a situação, as pessoas estão mal e continuam a apoiar quem lhes faz mal, valorizam e veneram os mais ricos e todas as personalidades muito superiores a elas e repudiam os seus semelhantes. Isto são alguns exemplos de uma democracia doente, de uma sociedade medrosa, engajada pelo poder e pelo capitalismo selvagem.   

O que vale é que Portugal não tem qualquer significado político a nível internacional. Nem o Hitler quis invadir isto! Tal é a nossa insignificância. Muitos dizem que foi bom, mas afinal tivemos outro Hitler cá, que queria continuar a ser dono de meio mundo. Como sempre não queremos que nos façam mal, mas andamos a massacrar os outros, que belo exemplo pacifista! Talvez por isso, é que continuamos pequenos, atrasados, mesquinhos e sempre com as calças na mão. Burro só puxa carroça, amigos.       

   

domingo, 15 de junho de 2014

Abandonados



Execução em massa no Iraque - JN

Invadiram o Iraque, destruíram tudo, mataram centenas de milhares de inocentes, tudo com a falsa bandeira do combate ao terrorismo, (como se fosse possível acabar com eles) no fim, abandonam o país ao seu destino incerto e com a única certeza do que ia acontecer, os resultados estão à vista. O plano das guerras regionais seguem sem qualquer tipo de obstáculo e o extermínio em massa prossegue. Iraque e Síria são os atuais exemplos dos factos e do caminho que o mundo está a seguir, com o poder e interesse de alguns que dominam o mundo, mas muito pouco poder dos governantes dos países em questão e de todos os outros. Ucrânia, e o que se passa em África, são mais exemplos, Afeganistão terá o mesmo destino que o Iraque com a saída das tropas dos EUA e outras, prevista para o fim do ano que vem.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Xeque-mate à humanidade




Crise estrutural e rebelião popular transnacional
William I. Robinson (*) 
Os poderes instalados no sistema mundial estão cada vez mais à deriva, enquanto a crise do capitalismo global serpenteia para fora do seu controlo. Desde o abate de dezenas de jovens manifestantes, por parte do exército no Egito, à repressão brutal do movimento Occupy nos Estados Unidos da América e aos canhões de água manuseados pela polícia militarizada no Chile contra estudantes e trabalhadores, os Estados e as classes dominantes sentem-se incapazes de refrear a maré de rebelião popular no mundo inteiro e vêm-se forçados a recorrer à repressão cada vez mais generalizada. Simplificando, as imensas desigualdades estruturais da economia política global não podem mais ser contidas através de mecanismos consensuais de controlo social. As classes dominantes perderam legitimidade; estamos a assistir a uma quebra da hegemonia da classe dominante em escala mundial.

Para entender o que está acontecendo nesta segunda década do novo século, precisamos ver o grande quadro no seu contexto histórico e estrutural. As elites globais desejavam e esperavam que a "Grande Depressão", começada com a crise das hipotecas e o colapso do sistema financeiro mundial em 2008, fosse uma recessão cíclica, que pudesse ser resolvida através de resgates patrocinados pelos Estado e por pacotes de estímulos. Mas tornou-se claro que esta é uma crise estrutural. As crises cíclicas são episódios recorrentes no sistema capitalista, acontecem cerca de uma vez por década e duram geralmente 18 meses a dois anos. Houve recessões mundiais no início dos anos 1980, no início dos anos 1990 e no início do século XXI.

As crises estruturais são mais profundas; a sua resolução requer uma reestruturação fundamental do sistema. Crises estruturais mundiais anteriores, nas décadas de 1890, de 1930 e de 1970 foram resolvidas através de uma reorganização do sistema que produziu novos modelos do capitalismo. "Resolvidas" não significa que os problemas enfrentados pela maioria da humanidade sob o capitalismo tiveram solução, mas que a reorganização do sistema capitalista, em cada caso, superou os constrangimentos existentes à retomada da acumulação de capital em escala mundial. A crise da década de 1890 foi resolvida, nos núcleos centrais do capitalismo mundial, através da exportação de capital e uma nova ronda de expansão imperialista. A Grande Depressão da década de 1930 foi resolvida através do recurso a variantes da social-democracia, tanto no Norte como no Sul – um capitalismo da providência, populista ou desenvolvimentista, que envolvia redistribuição, a criação de setores público e a regulação estatal do mercado.

A globalização e a crise estrutural atual
Para entender a atual conjuntura, precisamos de voltar à década de 1970. A fase de globalização do capitalismo mundial em que agora estamos evoluiu, ela própria, a partir da resposta dada, por distintos agentes, a estes episódios anteriores de crise, em particular à crise dos anos 1970 da social-democracia, ou mais tecnicamente falando, do fordismo-keynesianismo, ou capitalismo redistributivo. Na esteira dessa crise, o capital se tornou global, como resultado de uma estratégia da emergente classe capitalista transnacional e seus representantes políticos para reconstituir o seu poder de classe, libertando-se das restrições postas pelo Estado-nação à acumulação. Estas restrições - o chamado "compromisso de classe" - haviam sido impostas ao capital através de décadas de lutas de massas em todo o mundo, por classes populares e trabalhadoras constituídas e situadas ao nível nacional. Durante os anos 1980 e 1990, no entanto, as elites globalmente orientadas capturaram o poder do Estado, na maioria dos países em redor do mundo, e utilizaram esse poder para promover a globalização capitalista por meio do modelo neoliberal.

Políticas de globalização e neoliberais abriram vastas novas oportunidades de acumulação transnacional, nos anos 1980 e 1990. A revolução na informática e nas tecnologias da informação e outros avanços tecnológicos ajudaram o capital transnacional emergente a alcançar ganhos substanciais de produtividade e a reestruturar, "flexibilizar", e dispensar trabalho por todo o mundo. Isto, por sua vez, debilitou os salários e o salário social, facilitando uma transferência de rendimentos para o capital e para setores de alto consumo em todo o mundo, proporcionando que novos segmentos de mercado alimentassem o crescimento. Em suma, a globalização tornou possível uma expansão mais extensiva e intensiva do sistema, desencadeando uma nova ronda frenética de acumulação por todo o mundo, que compensou a crise dos anos 1970 com o seu declínio de lucros e oportunidades de investimento.

No entanto, o modelo neoliberal também resultou em uma polarização social sem precedentes, em todo o mundo. Ferozes lutas sociais e de classe em todo o mundo foram capazes, no século XX, de impor uma certa medida de controlo social sobre o capital. As classes populares, em diferentes graus, foram capazes de forçar o sistema a fazer a ligação entre aquilo a que chamamos de reprodução social e a acumulação de capital. O que tem ocorrido, por meio da globalização, é a rotura entre a lógica da acumulação e a da reprodução social, resultando em um crescimento sem precedentes da desigualdade social e na intensificação das crises de sobrevivência para milhares de milhões de pessoas, em todo o mundo.

Os efeitos pauperizantes desencadeados pela globalização têm gerado conflitos sociais e crises políticas que o sistema está agora achando cada vez mais difíceis de conter. O slogan "nós somos os 99 por cento" surge a partir da realidade de que as desigualdades globais e a pauperização se intensificaram enormemente desde que a globalização capitalista descolou, na década de 1980. Amplas faixas da humanidade tiveram mobilidade descendente absoluta nas últimas décadas. Até o FMI foi forçado a admitir, num relatório do ano 2000, que "nas últimas décadas, quase um quinto da população mundial regrediu. Este é, sem dúvida, um dos maiores fracassos econômicos do século XX".

A polarização social global intensifica o problema crônico da sobre acumulação. Isso se refere à concentração de riqueza em cada vez menos mãos, de modo que o mercado global se torna incapaz de absorver a produção mundial e o sistema estagna. Capitalistas transnacionais acham cada vez mais difícil descarregar a massa inchada e em expansão de seus lucros - eles não conseguem encontrar saídas para investir seu dinheiro, a fim de gerar novos lucros; daí o sistema entrar em recessão, ou pior. Nos últimos anos, a classe capitalista transnacional se voltou para a acumulação militarizada, a especulação financeira selvagem e para o ataque ou saqueio das finanças públicas, para sustentar os seus lucros face à sobre acumulação.

Enquanto a ofensiva do capital transnacional contra as classes populares e trabalhadoras remonta à crise da década de 1970, tendo crescido em intensidade, desde então, a Grande Recessão de 2008 foi, em vários aspetos, um grande ponto de viragem. Em particular, à medida que a crise se espalhou, gerou condições para novas rondas de brutal austeridade em todo o mundo, uma maior flexibilização do trabalho, o aumento acentuado do desemprego e do subemprego, e assim por diante. O capital financeiro transnacional e seus agentes políticos utilizaram a crise global para impor uma austeridade brutal e tentar desmantelar o que resta dos sistemas de previdência e do Estado social na Europa, na América do Norte, e em outros lugares, bem como para espremer mais valor do trabalho, diretamente, através de uma exploração mais intensa, e indiretamente, através das finanças do Estado. A conflitualidade social e política tem aumentado em todo o mundo, na esteira de 2008.

No entanto, o sistema não foi capaz de recuperar; está mergulhando cada vez mais profundamente no caos. As elites globais não conseguem gerir as suas contradições explosivas. Estará o modelo neoliberal do capitalismo entrando em uma fase terminal? É crucial entender que o neoliberalismo não é senão um modelo de capitalismo global; dizer que o neoliberalismo pode estar em crise terminal não quer dizer que o capitalismo global esteja em crise terminal. É possível que o sistema responda à crise e à rebelião das massas através de uma nova reestruturação que leve a algum modelo diferente de capitalismo mundial - talvez um keynesianismo global, envolvendo redistribuição transnacional e regulação transnacional do capital financeiro? Serão algumas forças rebeldes ascendentes cooptadas para uma qualquer nova ordem capitalista reformada?

Ou será que estamos caminhando para uma crise sistémica? Uma crise sistémica é uma crise em que a solução envolve o fim do próprio sistema, seja através da sua substituição, com criação de um sistema totalmente novo, ou, mais preocupante, com o colapso do sistema. Se uma crise estrutural vai ou não tornar-se sistémica depende da forma como distintas forças sociais e de classe responderem – depende dos projetos políticos que elas avançarem, assim como de fatores de contingência que não podem ser previstos com antecedência, além das condições objetivas. É impossível, neste momento, prever o resultado da crise. No entanto, algumas coisas são claras na conjuntura mundial atual.

A conjuntura atual
Em primeiro lugar, esta crise partilha um certo número de caraterísticas com crises estruturais anteriores, as dos anos 1970 e 1930. Mas há também várias características que lhe são únicas:
- O sistema está rapidamente a atingir os limites ecológicos de sua reprodução. Nós enfrentamos a ameaça real do esgotamento de recursos e de catástrofes ambientais que ameaçam um colapso do sistema.

- A magnitude dos meios de violência e controle social existentes é sem precedentes. Guerras informatizadas, drones, bombas destruidoras de bunkers, Guerra das Estrelas, e assim por diante, mudaram a face da guerra. A guerra tornou-se normalizada e higienizada para todos aqueles que não estão diretamente situados no local de receção de uma agressão armada. Também inédita é a concentração do controle sobre os meios de comunicação, de produção de símbolos, imagens e mensagens, nas mãos do capital transnacional. Chegamos à sociedade de vigilância panótica e do controle de pensamento orwelliano.

- Estamos chegando aos limites para a expansão extensiva do capitalismo, no sentido de que já não há mais quaisquer novos territórios de importância que possam ainda ser integrados no capitalismo mundial. A desruralização está agora muito avançada e a mercantilização do campo, bem como dos espaços pré e não-capitalistas, tem-se intensificado, convertendo-os, como estufas, em espaços do capital, de modo que a expansão intensiva está atingindo profundidades nunca antes vistas. Como um ciclista, o sistema capitalista precisa se expandir continuamente ou então ele entra em colapso. Onde é que o sistema agora irá se expandir?
- Há o surgimento de uma vasta população excedente, habitante de um planeta de favelas, alienada da economia produtiva, jogando nas margens, sujeita a sistemas sofisticados de controlo social e com a sua sobrevivência permanentemente em jogo, encerrada num ciclo mortal de expropriação-exploração-exclusão. Isto levanta de novas maneiras os perigos de um fascismo do século XXI e de novos episódios de genocídio para conter a massa da humanidade excedente, em sua rebelião real ou potencial.

- Não há uma disjunção entre uma economia globalizada e um sistema de autoridade política com base nos Estados-nação. Os aparatos estatais transnacionais são incipientes e não têm sido capazes de desempenhar o papel a que os cientistas sociais se referem como o de "hegemonia", nem há um Estado-nação líder que tenha poder e autoridade suficientes para organizar e estabilizar o sistema. Estados-nação não podem controlar os ventos uivantes de uma economia global descontrolada; os Estados enfrentam crises cada vez mais agudas de legitimidade política.

Em segundo lugar, as elites globais são incapazes de chegar a soluções. Elas parecem estar politicamente falidas e impotentes para orientar o curso dos acontecimentos que se desenrolam diante dos seus olhos. Elas exibiram brigas e divisões nos fóruns do G-8, G-20 e outros, aparentemente paralisados, e certamente indisponíveis para desafiar o poder e as prerrogativas do capital financeiro transnacional, a fração hegemônica do capital à escala mundial e também a fração mais voraz e desestabilizadora. Enquanto os aparatos estatais nacionais e transnacionais se abstêm de intervir para impor regras ao capital financeiro global, eles não deixaram de intervir para impor os custos da crise aos trabalhadores. As crises orçamentais e fiscais, que supostamente justificam cortes nos gastos e austeridade, são inventadas. Elas são antes uma consequência da falta de vontade ou incapacidade dos Estados de desafiar o capital em sua disposição de transferir o ônus da crise para as classes trabalhadoras e populares.

Em terceiro lugar, não haverá um desfecho rápido para o crescente caos global. Estamos em um período de grandes conflitos e grandes convulsões. Como mencionei acima, um dos perigos é uma resposta neofascista para conter a crise. Estamos enfrentando uma guerra do capital contra todos. Três setores do capital transnacional, em particular, se destacam como os mais agressivos e propensos a buscar arranjos políticos neofascistas para forçar o prosseguimento da acumulação enquanto esta crise continua: o capital financeiro especulativo, o complexo militar-industrial-securitário e o sector extrativo e energético. A acumulação de capital no complexo militar-industrial-securitário depende do surgimento de infindáveis conflitos e guerras, incluindo as guerras ditas contra o terrorismo e contra as drogas, bem como da militarização do controle social. O capital financeiro transnacional depende da assunção do controle sobre as finanças estaduais e da imposição da dívida e da austeridade às massas, finalidades que, por sua vez, só podem ser alcançadas através de uma repressão crescente. E as indústrias extrativas dependem de novas rondas de expropriação violenta e de degradação ambiental ao redor do mundo.

Em quarto lugar, as forças populares em todo o mundo passaram, mais rápido do que qualquer um poderia ter imaginado, da defensiva à ofensiva. A iniciativa passou, claramente, neste ano de 2011, da elite transnacional para as forças populares, a partir de baixo. O rolo compressor da globalização capitalista, nos anos 1980 e 1990, tinha revertido a correlação de forças sociais e de classe, ao nível mundial, em favor do capital transnacional. Embora a resistência continuasse em todo o mundo, as forças populares se encontraram desorientadas e fragmentadas, nessas décadas, sendo empurradas para a defensiva no auge do neoliberalismo. Em seguida, os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 permitiram que a elite transnacional, sob a liderança do Estado dos EUA, sustentasse a sua ofensiva com a militarização da política mundial e com o alargamento dos sistemas de controlo social repressivo, em nome do "combate ao terrorismo".

Agora tudo isso mudou. A revolta global em curso mudou toda a paisagem política e os termos do discurso. As elites mundiais estão confusas, reativas e afundadas num pântano da sua própria criação. Vale a pena ressaltar que aqueles que lutam, em todo o mundo, têm-se mostrado um forte senso de solidariedade e estão em comunicação entre si através de continentes inteiros. Assim como a revolta egípcia inspirou o movimento Occupy, este último tem sido uma inspiração para uma nova ronda de luta de massas no Egito. O que falta é expandir a coordenação transnacional e avançar para programas transnacionalmente coordenados. Por outro lado, o império do capital global não é, definitivamente, um "tigre de papel". Enquanto as elites globais se reagrupam, avaliando a nova conjuntura e as ameaças de revolução de massas global, elas vão - e já o começaram - organizar a repressão de massas coordenada, novas guerras e intervenções, bem como mecanismos e projetos de cooptação, em seus esforços para restabelecer a hegemonia.

A única solução viável para a crise do capitalismo global é uma maciça redistribuição de riqueza e de poder, para baixo, para a maioria pobre da humanidade, de acordo com as linhas de um socialismo democrático do século XXI, no qual a humanidade não esteja mais em guerra consigo mesma nem com a natureza.

(Fonte)

(*William I. Robinson é um académico norte-americano, professor de Sociologia na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara. Nos anos 1980 trabalhou como jornalista na Nicarágua assolada pela guerra e pelo terrorismo imperialista, tendo-se mantido desde então um observador e analista de questões latino-americanas. Tem estudado também economia política e transnacionalização, notabilizando-se por defender a tese da existência de uma classe capitalista globalizada. Entre os seus livros publicados merecem destaque: Promoting Polyarchy: Globalization, US Intervention, and Hegemony, Cambridge [Inglaterra]: Cambridge University Press, 1996; Transnational Conflicts: Central America, Social Change and Globalization, Londres: Verso, 2003; A Theory of Global Capitalism: Transnational Production, Transnational Capitalists, and the Transnational State, Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2004; Latin America and Global Capitalism: A Critical Globalization Perspective, The Johns Hopkins University Press, 2008. Tradução de Ângelo Novo.