segunda-feira, 30 de março de 2015

Confiar em quê e em quem?


Era, e ainda é costume dizer-se às criancinhas para não falar com estranhos e não confiar em ninguém. Porque será que depois de adultos e burros velhos, acabamos por fazer o contrário? Acreditamos em qualquer besta que nos apareça pela frente a prometer o que nem o diabo pode cumprir.

Vejamos na embrulhada em que estamos metidos: Não podemos mais confiar nos bancos, não podemos confiar nos governos, não podemos confiar em políticos, não podemos confiar em pilotos ou copilotos de aviões, maquinistas de comboios, motoristas de autocarros, na polícia, na justiça, nos advogados, nos jornalistas, no sapateiro, no canalizador, no porteiro, no segurança, no empreiteiro, no merceeiro, nem na empregada de limpeza! Será que ainda podemos confiar em nós mesmos? Para dizer a verdade, eu até já nem na minha própria sombra confio, dá-me sempre a ideia de que ela não é a minha, mas de um outro bandalho qualquer a tentar impingir-me qualquer coisa. Estamos constantemente a receber mensagens, ou telefonemas a incentivar ao investimento de dinheiro em fundos, ou depósitos com as garantias que lhes dizem para venderem aos clientes, e até continuam a fazer publicidade enganosa, mesmo depois de terem enganado todos os investidores, dos mais abastados aos mais modestos. As mensagens e telefonemas dos famosos e abusadores call centers, as caixas de correio cheias de papelada a oferecer quase tudo muito barato, com muitos prémios, estadias em hotéis a preço de qualquer botequim, viagens de avião ao preço da chuva, enfim, somos inundados diariamente por todo o tipo de produtos, alguns até se poderia aproveitar, (mas como sempre, só podem aproveitar os que têm dinheiro, porque os que não têm, continuam quietinhos) outros são tretas de caça ao cliente e fazer este perder tempo em conhecer os produtos ou serviços, que depois logo acaba por rejeitar, ou cair na trapaça. 

É incrível a selvajaria a que chegamos, estamos atolados de porcaria até ao pescoço, e não paramos para pensar que talvez fosse melhor começar a livrar-nos do lixo que nos atormenta o corpo e a mente, comecemos a pensar mais naturalmente, conscientes e puramente como humanos.

Não vos parece que estamos a viver num mundo de estúpidos mal-educados, violentos, rudes, completamente alienados com as coisas mais parvas que se podia imaginar, modas e atitudes horrivelmente imbecis de pouca imaginação, coisa de trogloditas desorientados, inconscientes e tresloucados pelas drogas legais e ilegais, anestesiados sem futuro nem rumo e encostados à parede. Já pensaram que estamos prestes a viver num mundo que mais parecerá um autêntico manicómio sem paredes? Pare e olhe à sua volta, e verá que isso já é mais que evidente. E o pior é que não podemos confiar em ninguém.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Lixo debaixo do tapete



- Livrar-nos do lixo rapidamente para fazer parecer que somos limpos, não é a melhor ideia, porque quando alguém se lembra de levantar o tapete, logo descobrirá que somos uns grandes porcos, aldrabões e fingidos. Venha quem vier, até pode ser o Papa, dizer que o desemprego baixou em Portugal, a única resposta que se pode dar, é que não passam de uns aldrabões. Números e mais números, sobe e desce, e os patinhos embrulham tudo, um estudo diz uma coisa, outro estudo diz outra, e o povo engole, mas a realidade é sempre muito diferente, não é sentados numa secretária, enfiados em gabinetes em frente aos computadores, lançarem os dados que alguém lá inseriu, e virem para a comunicação social gabarem-se desses dados otimistas, só porque interessa aos governantes e entidades públicas, um ar de suas graças, de que tudo vai bem e recomenda-se, e há quem acredite.

Como é possível dizerem que o desemprego baixou, se na realidade não se criaram postos de trabalho visivelmente necessários para tanta gente desempregada, o que adianta dizer que o desemprego baixou, se na realidade as pessoas é que saíram do país para procurarem trabalho, se metade dos desempregados já não recebem subsídio de desemprego e deixam de contar para as estatísticas, porque muitos estão em trabalhos precários e ridiculamente escravizados abaixo de cão, num país que se diz civilizado, onde muitos já não procuram trabalho, porque lhes barram todas as hipóteses de ingressarem no mercado de trabalho, por motivos de idade ou de qualificações, muitos outros estão em estágios, mas nem sempre ficam nas empresas, porque realmente as empresas não precisam deles, só precisaram enquanto o Estado lhes pagava, logo esses estagiários acabados de se formarem voltam ao ponto zero e sem qualquer ajuda, mais lixo para debaixo do tapete.

Os números são muito bonitos para alguém, mas não para quem está com a corda ao pescoço, mas infelizmente vivemos num mundo de números onde as pessoas não contam para nada, somos apenas mais um tijolo para o muro da vergonha, o muro que separa a miséria da abundância descomunal, da luxuria, da corrupção ilibada. Os números da lavagem ao cérebro, os números de que eles nos fazem crerem que os sacrifícios valem a pena, nem que sejam para toda a vida. Mas lembrem-se, que nós somos os 99% dos miseráveis e eles os 1% dos donos disto tudo.          


quarta-feira, 11 de março de 2015

Os dias de hoje


Os dias de hoje não diferem muito do tempo em que a humanidade começou a progredir, no sentido político e económico, estes bichinhos terrestres bípedes, eretos, têm um desejo insaciável de poder, ambição e ganância, incurável, e como se vê, até aos dias de hoje, nada mudou, e se mudou, foi para pior neste sentido, de resto, se muda a paisagem, a carruagem continua a ser puxada pelos burros da mesma espécie.

Eu fico incrédulo com as notícias que leio e oiço nos dias de hoje, tanta falta de profissionalismo no mundo jornalístico, da política, dos economistas, magistrados, empresários e mesmo em todas as profissões, todos muito levianos e muita irresponsabilidade à mistura, o que faz deste mundo um cocktail de estupidez irracional prestes a explodir, e não ficará ninguém para contar a história daqui a centenas ou milhares de anos.

Li um artigo num jornal, a propósito de pagar ou não pagar a dívida soberana dos países sufocados pela criminosa austeridade, e nesse artigo foi aplicada uma frase que se enquadra perfeitamente aos dias de hoje, ela foi dita por um dos mais conceituados filósofos gregos, há 2400 anos, o famoso Sócrates. Dizia ele: Se um homem te empresta uma espada e fica louco, não lha podes devolver. Isto é realmente verdade, e a mais pura evidência, sem dúvida, porque se o homem fica louco e se quer recuperar freneticamente a espada que te emprestou, com certeza será para te matar. Ora, não é o que acontece agora com os países endividados, famílias e empresas? Pois é, os bondosos homens emprestaram o dinheiro, mas impuseram condições que não são praticáveis, e o mais certo será a impossibilidade de devolver esse dinheiro, ou então os governos obedientes terão que tomar mais medidas drásticas de austeridade e será uma chacina para as centenas de milhar ou milhões de pessoas mais desfavorecidas que entram em miséria extrema, e o inevitável aparecimento dos novos pobres que já são muitos e continuam a aumentar, é o que está a acontecer nos países mais pobres e sobre endividados. No caso dos particulares endividados é muitas vezes uma sentença de morte mesmo, miséria total, fome, doenças e a morte que chega mais cedo. Nas empresas é o abandono e o flagelo do desemprego, os países perdem competitividade, autonomia, a economia afunda, a dívida aumenta, os juros aumentam e ficam toda a vida a pagar esses juros, mas a dívida continuará impagável para sempre.

No entanto, os nossos governantes, otimistas, vão dando esperanças aos mais distraídos cordeirinhos do rebanho, lá nos vão enfiando a carapuça de melhorias económicas, estatísticas animadoras (mas pouco ou nada credíveis) sobre desemprego, e outras baboseiras, que a comunicação social nos vai bombardeando nas notícias cor-de-rosa, até que de vez em quando lá surge a notícia de que a dívida está a aumentar. Mas que raio de tempo, ainda ontem estava sol, hoje já está a chover! E lá vamos nós andando, iludidos e embrulhadinhos.

As guerras alastram, e quanta miséria espalhada por aqueles países de África e Médio Oriente, uma carnificina que se pode comparar à vergonhosa e assassina tragédia humana da segunda guerra mundial, o que se está a passar nesses países é a mesma coisa, só ainda é em menor dimensão, por enquanto, porque estas guerras ainda só são o treino de aquecimento para o pior que virá por aí.

Como se não bastasse, o drama ecológico que já é irreversível, mesmo com as medidas já tomadas pelos governantes do mundo, mas que já não surtem efeito algum, até porque praticamente está tudo na mesma e a tendência é só para piorar, as alterações climáticas são reais e o efeito já se vê, embora quase ninguém queira ver.

Assusta-me ver a mordomia das pessoas, mimadas e que chafurdam na abundância, como são cegas na observação do meio ambiente em que vivem, como se acomodam no seu bem-estar. Ah! Está tudo bem, não é nada comigo. Pois não! E sabe porquê? Porque o morto é você!

sexta-feira, 6 de março de 2015

A imperfeição dos deuses


Os deuses deviam estar loucos quando criaram esta bolinha cheia de buracos e imperfeições que mais parece um queijo suíço, isto é, estou a basear-me no conto de fadas que tanto apregoam os religiosos, que acreditam ter sido Deus a criar todas as coisas, incluindo o homem, mas mesmo seguindo o conto de fadas, podemos tirar proveito da imaginação e concluirmos que se tal fosse como dizem, seria caso para dizer que tal inteligência divina ao criar o ser humano e coloca-lo num planeta tão especial e (único) com tantos defeitos, valia mais ter feito mesmo uma bola de queijo suíço, colocar lá uns ratinhos, e seria um paraíso perfeito para eles, os ratinhos.

Bom, mas pondo de lado a bolinha de queijo, na verdade refiro-me a esta bola de rocha metal e água com o nome de planeta Terra, e virando-me para o ponto essencial da matéria, diria que o ser humano realmente não é perfeito, até porque infelizmente, nós vemos que existe muita gente com deficiências motoras e mentais, que os religiosos também dizem ser obra dos deuses, imperfeitos, lá está. Mas este assunto não tem nada a ver com estes casos de infelicidade destas pessoas, que sofrem de deficiência genética, fruto da natureza, que também nem sempre é perfeita, e pode acontecer a qualquer ser vivo. Também há outros tipos de defeitos normalíssimos, as pessoas esquecem-se de muita coisa, muitas vezes por doença ou por mero acaso diário, o que é normal com todos nós. Errar também é humano, embora muitas vezes uns possam errar mais que outros, temos dificuldade em admitir os nossos erros, mas adoramos apontar os erros dos outros, é próprio dos nossos defeitos.  

Mas no caso dos políticos, a imperfeição é quase uma arte, além de nenhum ser perfeito, antes pelo contrário, são horrivelmente defeituosos, péssimos, pouco inteligentes para praticar o bem, mas são máquinas quase perfeitas a praticar o mal, ou impor a maldade aos outros e a protegerem-se entre eles, os amigos. Todos os dias nos chegam notícias dos escândalos de corrupção e um infindável número de nomes que são aplicados para fugir ao grosseiro nome de roubo, ou abuso de poder, porque estas palavras não se aplicam a um certo nível de cidadãos, (os engravatados meninos de ouro) que ocupam cargos importantes, como gerentes de empresas e políticos. Ouvimos falar deles todos os dias na comunicação social, nas comissões parlamentares de inquérito, fazem-lhes muitas perguntas, mas ainda ninguém percebeu quem é realmente culpado, porque todos usam os mais convincentes argumentos de que são todos muito inocentes, o culpado só pode ser o tal deus imperfeito, que criou semelhante rebanho de ovelhas e carneiros tresmalhados tão incompetentes e com uma tão grande falta de seriedade e humildade. Um está preso e não sabe porquê, mesmo com algumas provas, há sempre uma boa desculpa para explicar o inexplicável, mas como ainda não foi julgado, continuará inocente até que se prove o contrário, outros não se lembram de certas manobras malabaristas de favorecimentos a amigos, particulares ou empresários, outros mais corajosos até vão admitindo certas irregularidades, mas vão dizendo que não foi por mal, que apenas estavam a ajudar alguém em dificuldades, (embora permaneça obscura e duvidosa essa ajuda) enfim, tudo bons rapazes. O que é esquisito é estas pessoas serem tão inteligentes, e terem tanta falta de memória, e errarem tanto! Já sabemos que ninguém é perfeito, mas para alunos tão bons, dedicados, com boa formação, deviam ser um pouco mais perfeitos, entram no mundo empresarial e político, com uma boa remuneração ou várias, boas regalias, têm de tudo o que é bom e do melhor, mas mesmo assim não chega, entram no crime da corrupção para atingirem o mais alto nível hierárquico. Para quê? Não, isto não pode ser só imperfeição, isto é simples ganância, soberba, pura maldade, ambição pelo poder, que faz do homem um autentico animal irracional e desumano.

Com tanta pobreza no mundo, era preciso que estes senhores pensassem que os que nada têm são tão humanos como eles, pensem que nós, tristes humanos que habitamos neste planeta, apenas precisamos de viver com o necessário, e não, uns com tudo e outros sem nada, os que têm demasiado se deixarem algum para os que não têm nada, seria um mundo mais justo e todos podiam viver com alguma dignidade, claro que tem que haver os que têm muito mais que outros, mas não tudo ou quase tudo, um empresário é um empresário, um gerente é um gerente, um doutor é um doutor, um político é um político, um operário fabril e todos os trabalhadores comuns, os reformados, todos têm o seu valor e estatuto social como tal e outro nível de rendimento ou riqueza, claro, mas digno de humano.   

Não se pode admitir que um político que se diz responsável, dizer que não é perfeito, quando se vem a descobrir que tinha uma dívida à segurança social, e vir a público dizer que não sabia se tinha que pagar, na altura que essa dívida começou a vigorar, e como se não bastasse, a própria entidade, segurança social, oculta a dívida durante tanto tempo, e agora que o infrator se dispôs a pagar ainda é perdoado em parte da dívida por prescrição, bem, o que se pode dizer a isto, apenas se pode dizer que a punição não é igual para todos, porque se é um cidadão comum que realmente não sabe se tem que pagar e comete essa infração, a punição é rigorosa e sem perdão, mesmo que não tenha dinheiro para pagar, mas se é um político ou qualquer outra personalidade importante, é tudo muito mais suave. Como podem os políticos impor leis, regras e deveres aos cidadãos comuns, se esses mesmos políticos desconhecem os seus deveres, esquecem-se ou fazem-se de esquecidos. Ninguém é perfeito, e errar é humano, mas quando passa a ser uma atitude habitual de certas pessoas, isso já ultrapassa os limites do bom profissionalismo, caráter e honestidade.