sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A culpa é da mulher da limpeza


Já começa a cheirar mal, de tanta sujeira que uns fazem e os outros é que limpam! A corrupção, as negligências, as falcatruas, o favoritismo, a cumplicidade, o compadrio, a maldade, a incoerência, a ganância. A insensibilidade do homem, animal feroz, e a selvageria de alguns seres humanos, ignóbeis monstros desnecessário ao mundo dos vivos, meros monstros desprezíveis, vampiros ávidos do sangue das suas vítimas indefesas. É revoltante, ver o que nos rodeia, tanta coisa obscura se passa; e não se passa nada na esfera dos que têm o poder de decisão, e exigir que se faça justiça exemplar, pura e dura, para os verdadeiros culpados, porque eles existem. Não pode ser sempre a ´´mulher da limpeza`` a culpada de tudo o que acontece de mal neste país, como se costuma dizer quando não se encontra culpados. É! Quando há um bicho-de-sete-cabeças, um caso cabeludo, quando há asneira da grossa! É vê-los a sacudir a água do capote, e a descarregar as culpas nos mais fracos, ou então a contratar os mais especializados mentores de mentiras cabeludas, para os defender de todas as acusações; carregam malas cheias de papéis que ninguém consegue ler até ao fim, e todos os argumentos são validos para ilibar os clientes amigos que pagam muito bem porque podem; e tudo passa a falso, mesmo que se veja ao longe que a realidade é outra; mas lá tem que ser, e o que tem que ser tem muita força, nada que não se possa resolver com uma caução, penas suspensas, prisão domiciliária nas suas ricas casinhas.

Desaparecem armas das forças de segurança, não há culpados à primeira vista; fogem prisioneiros, não há culpados; negligência médica, as pessoas morrem por mau atendimento ou diagnóstico mal feito, não há culpados; deixam fugir dez mil milhões de euros para paraísos fiscais! Eh pá! Houve um problema informático, e tal; ou foi a mulher da limpeza que estragou o computador! Oh pá! O ar está poluído; é a mulher da limpeza a sacudir os tapetes. Mas que raio de sorte a de ser mulher da limpeza, pá! É claro que este termo, da mulher da limpeza, é usado ironicamente, em termos populares, ou, a culpa morre sempre solteira; quando não se encontra os culpados, que muitas vezes se sabe muito bem quem são, mas os interesses do poder, ou de grandeza monetária, ficam sempre acima de qualquer suspeita, ficam quase sempre impunes, e quando são condenados, todos os meios ´´legais`` são usados para minimizar as penas, que são sempre muito leves, irrelevantes, ou simplesmente nulas.

E lá vai andando a feliz senhora da limpeza, trabalhadora, escrava, tentando levar a vida de miséria que lhe saiu na sorte da vida, que simplesmente quer viver; ela não se importa de carregar todas as culpas de todos os males do país e do mundo, porque ela sabe que mesmo pobre, ela também nunca será condenada, porque apenas limpa honestamente a porcaria que os outros fazem.